As exportações brasileiras de sucata ferrosa voltaram a registrar alta em agosto de 2025, alcançando 71.476 toneladas, um crescimento de 9,5% em relação ao mesmo mês de 2024, quando haviam sido embarcadas 65.254 toneladas.
No acumulado de janeiro a agosto, os embarques já somam 573.306 toneladas, avanço de 14,2% frente ao mesmo período do ano passado (502.208 toneladas). Em comparação a julho deste ano, porém, houve retração de 15%, segundo dados do Ministério da Economia (Secex).
De acordo com o Instituto Nacional da Reciclagem (Inesfa), esse aumento está relacionado ao baixo interesse das siderúrgicas brasileiras na compra de sucata ferrosa, em um cenário marcado pelos efeitos da política de tributação dos EUA sobre o aço. O órgão lembra que as exportações consideram apenas os volumes excedentes não absorvidos pelo mercado interno.
Um levantamento da S&P Global Platts aponta que o pessimismo domina o setor. Durante o Congresso Aço Brasil, executivos destacaram que as importações recordes de aço vêm comprimindo as margens de rentabilidade das siderúrgicas para níveis insustentáveis, reduzindo o apetite pela sucata como insumo.
A pesquisa ainda revela que grandes pátios de reciclagem reduziram a coleta, enquanto operadores menores enfrentam dificuldades para arcar com custos trabalhistas e regulatórios. “Está tudo parado, todos com medo de investir”, relatou um reciclador, acrescentando que diversas empresas já tiveram que reduzir suas equipes diante do ambiente desafiador.
