Um relatório do Boston Consulting Group (BCG), em parceria com a Quantis, aponta que mais de um quarto da perda global de biodiversidade causada pelo homem tem origem no setor de infraestrutura. Governos, incorporadoras, engenharias e construtoras estão no centro desse impacto, mas também têm nas mãos uma oportunidade decisiva: liderar a restauração ambiental por meio de soluções híbridas e baseadas na natureza.
O estudo, intitulado A Value-Driven Approach to Nature-Based Infrastructure, utilizou referências como a ferramenta ENCORE da TNFD, análises da SBTN, além de recursos do Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável e do IPBES. Os dados revelam que a natureza gera serviços ecossistêmicos avaliados em mais de US$ 150 trilhões por ano, quase o dobro do PIB mundial. Entretanto, desde o fim dos anos 1990, a degradação ambiental já acarretou perdas de aproximadamente US$ 5 trilhões anuais.
Segundo Gabriela Werneck, diretora executiva e sócia do BCG, embora as empresas de infraestrutura tenham alta consciência sobre temas como mudanças climáticas, poluição e escassez de água, ainda há pouca percepção sobre riscos ligados ao uso da terra e do mar, além da disseminação de espécies invasoras. Para ela, reverter danos ecológicos, reduzir práticas intensivas em recursos, investir em sumidouros de carbono naturais e aumentar a resiliência climática são passos fundamentais para o setor.
O BCG propõe uma estratégia em três etapas:
- Avaliar materialidade – compreender os impactos ambientais do segmento em que a empresa atua.
- Analisar impactos materiais – identificar contribuições para mudanças no uso da terra e do mar, exploração excessiva e poluição.
- Definir metas de restauração – estabelecer objetivos claros de recuperação ambiental, adotando soluções práticas, híbridas ou baseadas na natureza, além de melhorar a gestão ambiental em todos os projetos.
A pesquisa revela que 80% das companhias de infraestrutura ainda focam apenas em reduzir danos, por meio de ajustes operacionais. Contudo, restaurar ecossistemas representa um passo transformador, capaz de ampliar de forma significativa os benefícios ambientais e econômicos.
De acordo com Werneck, soluções baseadas na natureza oferecem ROI mais que o dobro das práticas convencionais. Para destravar esse potencial, as empresas devem incorporar tais iniciativas como estratégia central de crescimento, adotando uma visão abrangente que considere todo o espectro de ganhos sociais, ambientais e financeiros.
