Com a chegada do fim do ano, o tráfego nas rodovias brasileiras volta a crescer significativamente, elevando também as preocupações com segurança. Dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF) mostram que a mortalidade nas estradas federais aumentou de forma contínua entre 2020 e 2024. Nesse período, 27.920 pessoas perderam a vida, resultado de um avanço de 16% nas mortes registradas, que passaram de 5.292 para 6.160 vítimas ao longo dos quatro anos.
O movimento crescente de veículos reforça a necessidade de gestão eficiente, capacidade de resposta rápida e tecnologias que ajudem a reduzir o número de acidentes. Nesse contexto, os Sistemas de Transporte Inteligente (ITS) e as soluções baseadas em inteligência artificial (IA) estão se consolidando como aliados fundamentais na administração das rodovias.
Segundo Alexandre Krzyzanovski, diretor de Tecnologia do Grupo Pumatronix, ferramentas como câmeras com visão computacional, sensores de tráfego, radares OCR e plataformas de análise avançada já conseguem identificar irregularidades em segundos – muitas vezes antes de qualquer acionamento ao serviço de emergência. Ele destaca que a agilidade na detecção e no atendimento pode ser determinante para salvar vidas, especialmente em horários críticos ou em trechos de tráfego intenso.
Além da segurança, concessionárias e órgãos públicos têm buscado maior eficiência operacional. Telemetria, manutenção preditiva e análise de grandes volumes de dados vêm sendo aplicadas para evitar falhas, economizar recursos e reduzir custos, ao mesmo tempo em que diminuem deslocamentos desnecessários e o consumo energético.
Entre as evoluções mais marcantes está o avanço do sistema de pedágio eletrônico Free Flow, que elimina cancelas, reduz congestionamentos, diminui emissões de CO₂ e agiliza viagens. De acordo com Krzyzanovski, o modelo também gera dados estratégicos que contribuem para planejamento viário e decisões de longo prazo.
A inteligência artificial também está transformando o trabalho nos centros de controle de tráfego. Em períodos de maior demanda, algoritmos ajudam a priorizar alertas, identificar comportamentos perigosos e detectar situações anômalas, como paradas bruscas ou veículos em locais proibidos. Para o especialista, a IA não substitui o operador humano, mas amplia sua capacidade de resposta e reduz a chance de falhas.
O conceito de estradas conectadas vem ganhando força no país. A integração entre concessionárias, forças de segurança e serviços de emergência permite cruzar dados de tráfego, clima e incidentes, criando modelos preditivos capazes de orientar ações preventivas. Esse ecossistema digital fortalece o planejamento e aumenta a capacidade de antecipar riscos.
Para Krzyzanovski, o futuro das rodovias brasileiras combina tecnologia e gestão integrada: menos filas, menos acidentes e mais vidas preservadas. A digitalização e a análise de dados se consolidam como pilares essenciais para garantir viagens mais seguras e eficientes justamente no período em que o fluxo de veículos atinge seus maiores níveis no ano.
