Adoção de governança corporativa, metas por operação e gestão baseada em indicadores como taxa de absorção, giro de estoque e VSO têm reduzido incertezas e ampliado a previsibilidade das receitas no setor da construção. Para o executivo Eduardo Castano, com mais de 20 anos de atuação em incorporação e desenvolvimento urbano, a sistematização dos dados permite ajustes de rota em tempo real e melhora a relação risco-retorno de cada lançamento.
No contexto macroeconômico, a construção civil mantém peso relevante no PIB brasileiro e forte efeito multiplicador sobre o emprego. Dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) mostram que a cada R$ 1 milhão investido no setor, são gerados cerca de 19 empregos diretos e indiretos, evidenciando sua sensibilidade a ciclos de crédito e investimentos. Em 2025, mesmo com oscilações trimestrais, o setor mostra crescimento anual, com reflexos positivos sobre renda, arrecadação e cadeias produtivas.
Os impactos urbanos ficam mais visíveis em regiões com déficit habitacional e demanda por requalificação. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), projetos planejados, quando conectados a mobilidade e serviços, promovem revitalização de áreas centrais, ocupação de vazios urbanos e dinamização do comércio local. Já pesquisas da USP apontam ganhos em acessibilidade e qualidade do adensamento urbano quando os empreendimentos consideram renda, infraestrutura e diversidade de usos.
Outro vetor de transformação é a digitalização comercial. O uso integrado de CRM, automação de marketing e monitoramento de funil permite reduzir custos de aquisição, segmentar públicos e acelerar conversões. Castano destaca que, ao ser combinada à governança, a digitalização melhora a qualidade das decisões e documenta evidências de demanda. Além disso, ferramentas de inteligência territorial e precificação dinâmica refinam a modelagem de VGV e a alocação de portfólio, mitigando riscos de estoque.
No recorte geográfico, levantamentos da CBIC apontam aumento de lançamentos em cidades médias e regiões em expansão, ampliando a capilaridade da produção e desconcentrando a oferta. A leitura conjunta de indicadores como vendas, lançamentos, VSO e tempo de oferta reforça que empresas estruturadas em governança e métricas de qualidade atuam com mais eficiência diante de crédito restritivo.
Para 2025, projeções da CBIC e análises do FGV IBRE indicam a continuidade do eixo dados + governança + impacto urbano como prioridade estratégica. “Projetos bem planejados garantem previsibilidade para investidores e benefícios concretos para a cidade; essa convergência tende a permanecer central nas decisões do setor”, conclui Castano.


