Fortaleza – CE | quarta-feira 25 de fevereiro de 2026 / 17:42

Centro de Fortaleza volta ao radar imobiliário e registra uma das maiores valorizações da cidade

Com alta de quase 25% em um ano, região central atrai novos empreendimentos residenciais e entra em ciclo de reocupação urbana

Após décadas marcado pela predominância do comércio popular e pela perda de moradores, o Centro de Fortaleza começa a viver um novo momento no mercado imobiliário. Nos últimos 12 meses, o bairro figurou entre os que mais se valorizaram na capital cearense, acumulando alta de 24,7%, segundo dados do índice FipeZap.

Entre os bairros com maior peso na composição do indicador, o desempenho do Centro se igualou ao da Aldeota e superou regiões tradicionais como Fátima, Meireles, Luciano Cavalcante, entre outras áreas consolidadas da cidade.

O valor médio do metro quadrado para venda de imóveis residenciais no Centro atingiu R$ 9.294 em dezembro, conforme o FipeZap. No mesmo período de 2024, o preço era de R$ 7.453, evidenciando a forte aceleração recente da valorização.

Mesmo com a presença de um grande número de imóveis e terrenos ociosos, a região começa a receber novos lançamentos. Um dos projetos mais emblemáticos será construído no antigo terreno do ginásio do tradicional Colégio Marista Cearense, que dará lugar a um condomínio residencial com três torres e 576 unidades habitacionais.

De acordo com levantamento do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Ceará (Sinduscon-CE), este será o primeiro lançamento residencial no coração do Centro de Fortaleza desde 2008, sinalizando uma retomada do interesse do mercado pela área.

Por que o Centro voltou a se valorizar?

Com infraestrutura urbana consolidada, ampla oferta de serviços públicos e boa acessibilidade, o Centro reúne características que o tornam estratégico para novos projetos imobiliários e para o mercado de locação, avalia Alexandre Queiroz Pereira.

“A lógica da incorporação imobiliária passa por identificar áreas que possam se tornar desejadas, especialmente pela classe média. Em cidades grandes, bairros com serviços e infraestrutura tendem a ser priorizados”, explica.

O especialista pondera, no entanto, que o perfil da região não deve atrair, ao menos neste momento, compradores de alto poder aquisitivo. A tendência mais forte é o desenvolvimento de projetos voltados à moradia econômica e à locação residencial.

“O Centro possui muitos imóveis antigos, alguns das décadas de 1930 e 1940, o que impõe desafios que vão desde o custo da obra até as estratégias de mercado para atrair um público específico”, observa.

Expectativa de novos empreendimentos

O Sinduscon-CE projeta que o Centro de Fortaleza deve receber novos lançamentos ao longo de 2026, principalmente voltados ao segmento econômico. A aposta está na utilização da infraestrutura já existente, no histórico da região e na melhoria gradual do ambiente urbano.

“A área reúne uma das infraestruturas mais completas da cidade, o que naturalmente exerce pressão sobre os preços dos imóveis e estimula novos investimentos”, destaca Patriolino Dias, presidente do sindicato.

Além do Centro, Patriolino aponta que o mercado imobiliário também observa oportunidades de expansão em bairros fora do eixo tradicional, como Presidente Kennedy, Cambeba, Passaré, Cocó e Papicu.

O papel da revitalização urbana

A reocupação residencial do Centro é vista como fundamental para o processo de revitalização urbana, ajudando a evitar o abandono de espaços públicos e patrimônios históricos, defende Alexandre Queiroz Pereira.

O geógrafo alerta, contudo, para a necessidade de equilibrar valorização e inclusão social. “O risco é reproduzir no Centro o mesmo padrão de elitização observado em bairros nobres, tornando a área inacessível para grande parte da população que necessita de moradia de qualidade”, avalia.

Segundo ele, iniciativas de ocupação da área central trazem benefícios para toda a cidade, ao reduzir a fragmentação urbana e otimizar o uso da infraestrutura existente. A proposta de estimular a moradia no Centro, inclusive, integra o Plano Plurianual de Fortaleza 2026–2029, que analisa a possibilidade de destinar imóveis públicos ociosos da região para programas habitacionais.

Fonte: Redação

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