Fortaleza – CE | quarta-feira 25 de fevereiro de 2026 / 19:23

Pesquisa projeta novo recorde de investimento em infraestrutura

Estudo da ABDIB aponta crescimento contínuo liderado pelo capital privado e destaca saneamento e logística como principais vetores do ciclo atual

O Livro Azul da Infraestrutura 2025, elaborado pela Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (ABDIB), traça um diagnóstico abrangente dos investimentos e projetos estratégicos nos setores logístico e energético do Brasil. A publicação reúne iniciativas federais e estaduais em áreas como rodovias, ferrovias, aeroportos, energia, telecomunicações e saneamento básico, oferecendo um panorama detalhado do planejamento de médio e longo prazos do país.

O estudo destaca o papel central das concessões e parcerias público-privadas (PPPs) como instrumentos para modernizar a infraestrutura nacional, elevar a eficiência dos serviços públicos e ampliar a capacidade logística. Além do mapeamento de projetos, o material apresenta análises estatísticas e projeções financeiras que embasam decisões de política econômica e atração de capital.

A ABDIB reforça ainda que segurança jurídica, sustentabilidade e estabilidade regulatória seguem como pilares essenciais para manter o fluxo de investimentos privados e sustentar o desenvolvimento da infraestrutura brasileira nos próximos anos.

Ciclo de investimentos segue batendo recordes

Mesmo em um ambiente de juros elevados, o relatório identifica a continuidade de um ciclo de expansão dos investimentos em infraestrutura. Após avanços expressivos em 2023 e 2024, a projeção para 2025 é de um crescimento real próximo de 3%, levando o volume total de aportes ao patamar histórico de R$ 280 bilhões, em valores constantes de 2025.

Esse desempenho é puxado majoritariamente pelo setor privado, responsável por cerca de 84% dos investimentos totais. Para 2025, a ABDIB estima uma expansão real de 6% nos aportes privados, movimento que tende a compensar a retração prevista de 11% nos investimentos públicos.

Desempenho desigual entre os setores

A distribuição dos investimentos, no entanto, ocorre de forma heterogênea entre os segmentos. O maior destaque é o Saneamento Básico, que apresenta crescimento real projetado de 35,7%, impulsionado pelo novo marco regulatório e pela ampliação dos investimentos das concessionárias.

O setor de Transporte e Logística também mantém trajetória positiva, com previsão de alta de 12,7%, refletindo a carteira robusta de concessões e projetos estruturantes. Em sentido oposto, Energia e Telecomunicações devem registrar retrações de 7,5% e 6,6%, respectivamente, em função da maturação de investimentos recentes e da redução das necessidades em geração eólica, solar e infraestrutura já instalada.

Segundo o estudo, o hiato de investimentos caiu para 1,74% do PIB em 2025, mas ainda permanece relevante. Para eliminar completamente as lacunas, seria necessário mais do que triplicar os investimentos atuais em logística e elevar em cerca de 30% os aportes em saneamento, mantendo esse esforço por pelo menos uma década.

Carteira robusta de projetos até 2030

As perspectivas de médio prazo são consideradas favoráveis. O Livro Azul identifica uma carteira de 469 novos projetos de concessões e PPPs, de origem federal, estadual e municipal, que somam aproximadamente R$ 760 bilhões em investimentos potenciais entre 2026 e 2030.

Os maiores volumes estão concentrados em Rodovias (R$ 209,5 bilhões), Ferrovias (R$ 183,3 bilhões), Mobilidade Urbana (R$ 174,6 bilhões) e Saneamento (R$ 81,1 bilhões). Desconsiderando os projetos federais, a Região Sudeste lidera o volume em estruturação, com R$ 270,7 bilhões, seguida pelo Nordeste (R$ 75,9 bilhões) e pelo Centro-Oeste (R$ 32,1 bilhões).

No segmento de Transporte e Logística, a projeção é de investimentos privados médios anuais de R$ 49,2 bilhões até 2030. Já no Saneamento, a estimativa é de R$ 144,3 bilhões no período de cinco anos, com foco na universalização dos serviços.

Desafios e ambiente de negócios

A ABDIB ressalta que, apesar do crescimento mais moderado em 2025, esse movimento não deve ser interpretado como uma desaceleração estrutural. O desempenho futuro dependerá diretamente da capacidade de estruturar e leiloar novos projetos, além do enfrentamento de entraves como juros elevados, limitações administrativas das agências reguladoras e os efeitos da reforma tributária.

Para a entidade, preservar um ambiente de negócios saudável é decisivo. Isso inclui segurança jurídica, equilíbrio econômico-financeiro dos contratos e previsibilidade regulatória. O estudo também defende o fortalecimento do investimento público como complemento ao capital privado, especialmente em projetos estruturantes e em iniciativas com menor atratividade econômica.

“Evitar retrocessos regulatórios e ampliar os investimentos públicos, seja por aplicação direta ou via PPPs, é fundamental para sustentar o desenvolvimento da infraestrutura nacional e reduzir as desigualdades regionais”, conclui o relatório.

Fonte: Redação

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