Fortaleza – CE | quarta-feira 25 de fevereiro de 2026 / 19:14

Criação de empregos formais despenca 23,7% com impacto prolongado dos juros elevados

Levantamento do Ibre/FGV baseado no Novo Caged revela saldo negativo para profissionais de nível superior na construção e indústria. Mercado encerrou o ano com o pior mês de dezembro da série histórica.

A manutenção da taxa básica de juros em patamares elevados cobrou um preço alto do mercado de trabalho brasileiro em 2025. Um estudo conduzido pelas pesquisadoras Janaína Feijó e Helena Zahar, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), revelou uma forte desaceleração nas contratações com carteira assinada.

De acordo com o levantamento, feito com base nos microdados do Novo Caged do Ministério do Trabalho, o Brasil abriu 1.279.448 vagas formais em 2025. O montante representa uma expressiva queda de 23,7% em comparação com o ano anterior, o equivalente a 398 mil postos de trabalho a menos.

A atração de capital estrangeiro e o bom desempenho do Ibovespa, que figurou entre os melhores ganhos em dólar desde o ano 2000 e impulsionou a rentabilidade no mercado imobiliário em São Paulo e no Rio de Janeiro, não foram suficientes para blindar o emprego formal da restrição monetária.

O impacto foi severo para os trabalhadores com maior grau de instrução. Apenas 1,9% (24.513) das novas oportunidades foram ocupadas por profissionais com ensino superior completo. Setores de peso na economia fecharam vagas líquidas para esse perfil qualificado: a indústria demitiu 13.686 funcionários a mais do que contratou, enquanto o comércio perdeu 12.432 postos e a construção civil encolheu em 8.179 vagas. O balanço para profissionais graduados só ficou positivo graças aos setores de serviços (+58.300) e agricultura (+509).

Para Janaína Feijó, o custo do crédito afeta as decisões corporativas com um efeito de atraso. Ela pontua que, desde junho, o mercado começou a sentir a consolidação desse impacto negativo, culminando em um desempenho crítico no último mês do ano. Dezembro de 2025 registrou o fechamento líquido de 618.164 vagas, o pior resultado para o mês em toda a série histórica do Novo Caged, com queda generalizada em todos os setores, exceto na agropecuária.

As perspectivas para 2026 apontam para um cenário de cautela redobrada. O ambiente de juros altos somado à desaceleração econômica e ao calendário eleitoral no segundo semestre deve postergar os investimentos das empresas em novas equipes.

Feijó avalia que, além do corte necessário na taxa de juros, o Brasil precisa enfrentar custos trabalhistas e melhorar o ambiente de negócios. A pesquisadora alerta que a precarização do emprego segue como um entrave estrutural profundo, com mais de 38% dos ocupados atuando na informalidade, o que prejudica a arrecadação do Estado e retira as garantias básicas dos trabalhadores.

Fonte: Redação

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