Fortaleza – CE | sábado 28 de fevereiro de 2026 / 07:08

Uso de IA na construção civil mais que dobra e chega a 38% em 2025

Levantamento da CBIC aponta avanço da digitalização com suporte de BIM e IoT. Especialistas alertam que o setor deixa de ser analógico para viabilizar cidades mais inteligentes e sustentáveis.

A construção civil brasileira atravessa um período de aceleração tecnológica sem precedentes. Dados recentes do Termômetro Falconi, divulgados pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), revelam que a adoção de ferramentas de Inteligência Artificial (IA) no setor saltou de 15% em 2023 para 38% em 2025. O levantamento também consolida a metodologia BIM (Building Information Modeling) como pilar estratégico, presente em 55% das companhias avaliadas.

Para Roger Flavio de Lima, CEO da Montreal Construções e especialista em tecnologias digitais, os números confirmam que o canteiro de obras deixou de ser puramente analógico. No entanto, ele observa que a maturidade digital ainda é desigual no mercado. Enquanto grandes construtoras e concessionárias lideram com sistemas integrados e digitalização avançada, um grupo intermediário ainda transita entre o papel e o uso de aplicativos e drones. Já as pequenas empresas, embora pressionadas a se modernizar, mantêm forte dependência de processos manuais.

A transformação é impulsionada por um ecossistema que une BIM avançado, Internet das Coisas (IoT) e computação em nuvem. Segundo Lima, essas ferramentas atuam em todo o ciclo de vida da infraestrutura, desde a concepção até o eventual descomissionamento. Na fase de planejamento, o uso de gêmeos digitais e simulações permite prever cenários complexos, como incidência solar, mobilidade urbana e impactos hidrológicos, antecipando riscos antes mesmo do início das escavações.

Durante a execução e operação, a tecnologia assume um papel de monitoramento ativo. Sensores de telemetria controlam a qualidade do concreto e a compactação do solo, enquanto drones realizam medições de segurança e avanço físico. A integração dessas informações em nuvem cria o que o especialista chama de “infraestrutura cognitiva”: ativos que aprendem com a própria operação para otimizar manutenção, reduzir o consumo energético e mitigar emissões de carbono.

A tendência é que atividades repetitivas e perigosas sejam totalmente automatizadas. Inspeções em viadutos, fachadas e taludes passarão a ser feitas por robôs autônomos, com algoritmos de IA capazes de identificar patologias como fissuras e corrosão. Essa mudança desloca o papel do engenheiro da conferência de planilhas para a análise estratégica de riscos e impactos sociais.

No contexto urbano, essa evolução tecnológica é a resposta para gargalos históricos de capitais como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Problemas como enchentes, trânsito caótico e orçamentos públicos restritos exigem precisão na gestão de recursos. Lima destaca que a agenda de cidades inteligentes (smart cities) depende dessa infraestrutura conectada, mas alerta para a necessidade de governança ética. Para o executivo, a tecnologia deve ter as pessoas no centro, evitando que a cidade se torne apenas um experimento tecnológico vazio.

Fonte: Redação

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