O mercado de locação residencial apresentou um alívio na pressão dos preços durante o mês de fevereiro. Dados divulgados pela Fundação Getulio Vargas (FGV) mostram que o Índice de Variação de Aluguéis Residenciais (Ivar) desacelerou para 0,30%, menos da metade da taxa de 0,65% registrada em janeiro. Este é o menor patamar observado desde agosto de 2025, quando o indicador ficou em 0,28%.
A tendência de arrefecimento também se reflete no longo prazo. A inflação do aluguel acumulada em 12 meses recuou de 5,62% na leitura de janeiro para 4,05% em fevereiro. Trata-se do resultado mais baixo para o período anualizado desde setembro do ano passado.
Comportamento nas capitais
A análise regional revela movimentos distintos entre as grandes metrópoles. São Paulo foi o destaque na contenção de preços: na capital paulista, a variação mensal despencou de 0,63% para 0,03%. Porto Alegre também seguiu essa trajetória de queda acentuada, passando de 0,78% para 0,19% na passagem mensal.
Por outro lado, algumas capitais registraram aceleração no curto prazo, embora mantenham tendência de queda no acumulado anual. No Rio de Janeiro, a taxa mensal subiu de 0,57% para 0,63%, e em Belo Horizonte, o avanço foi de 0,53% para 0,97%.
Contudo, ao observar o horizonte de 12 meses, a desaceleração é a norma para a maioria. Em São Paulo, o acumulado caiu de 5,64% para 2,76%; no Rio, de 9,98% para 7,85%; e na capital mineira, de 12,71% para 8,15%. A exceção no acumulado anual foi Porto Alegre, que saiu de um cenário de deflação (-1,74%) para uma alta de 0,82%.
Equilíbrio entre oferta e demanda
Para Matheus Dias, economista da FGV, os números sinalizam um ajuste natural de mercado. O especialista avalia que houve uma tentativa de aumento de preços por parte dos proprietários no início do ano, movimento que acabou sendo contido pela retração da demanda.
“Nesses momentos, é natural que o lado da oferta acabe aumentando o preço com expectativas de que vai conseguir obter maiores ganhos. Só que, ao mesmo tempo, quando os preços aumentam muito, o lado da demanda acaba retraindo um pouco”, explica Dias.
A projeção para os próximos meses é de um cenário mais benigno para os inquilinos. Segundo o economista, a tendência para o curto e médio prazo é de estabilidade ou novas desacelerações do Ivar, indicando um comportamento de preços “mais saudável” e equilibrado.


