Em um semestre marcado pela seletividade nos negócios, a mineração se destacou como o único setor do Nordeste a registrar crescimento simultâneo no número e no valor das operações de fusões e aquisições (M&A). O segmento movimentou R$ 28,5 bilhões entre janeiro e junho de 2026 — montante 6.482% superior ao registrado no mesmo período de 2025 —, segundo levantamento da KPMG. O número de transações passou de duas para três na comparação anual.
O desempenho reflete o interesse crescente de investidores em ativos ligados à transição energética e aos minerais críticos, insumos essenciais para cadeias produtivas da nova economia de baixo carbono. “O desempenho da mineração evidencia a relevância crescente de setores vinculados à transição energética, minerais críticos e recursos naturais estratégicos”, destacou análise da KPMG sobre a região.
Ceará registra mais capital em menos negócios
No Ceará, o mercado de M&A apresentou comportamento distinto: o volume financeiro cresceu, mas a quantidade de operações caiu de forma expressiva. Foram seis transações concluídas entre janeiro e junho — contra dez no mesmo período de 2025, redução de 40%. Ainda assim, o valor total movimentado chegou a R$ 689 milhões, alta superior a 25% frente aos R$ 549,6 milhões registrados no primeiro semestre do ano anterior.
A combinação de menos negócios com mais dinheiro envolvido retrata um mercado que opera com maior seletividade e disciplina. Os setores que participaram das operações no estado foram tecnologia, mídia e telecomunicações (com dois negócios), além de imobiliário, mineração, energia e consumo, cada um com uma transação.
Entre os negócios anunciados no período, destaca-se o acordo da Victoria Mining Corporation para adquirir participação de 50% na Pedreira Taj Mahal, localizada em Uruoca.
Capital migra para ativos com potencial estratégico
Para Cristiane Azevedo, sócia da KPMG responsável pela análise, o cenário cearense reproduz uma tendência nacional. “Embora o número de operações tenha diminuído, o crescimento do volume financeiro movimentado mostra que investidores e empresas estão priorizando transações de maior porte e relevância estratégica”, afirma. Segundo ela, os recursos estão sendo direcionados para “ativos com potencial de crescimento, geração de valor e posicionamento competitivo de longo prazo”.
No recorte regional da pesquisa da KPMG, que analisou nove estados, apenas Alagoas registrou expansão no número de transações: foram três operações no semestre, contra duas no mesmo período de 2025, crescimento de 50%. As operações com valores divulgados no estado somaram R$ 1,16 bilhão.
O conjunto dos dados aponta para um mercado em reconfiguração, no qual poucos ativos de alto valor estratégico concentram cada vez mais a atenção dos investidores — padrão que, segundo especialistas, tende a se intensificar enquanto o ambiente de juros elevados mantiver o custo de capital em patamares restritivos.


