Cerca de 33,6% das empresas de construção civil já utilizam sistemas construtivos industrializados no Brasil — ante 26,4% registrados em 2025. O dado integra o Índice Geral de Industrialização da Construção (IGIC), elaborado a partir da Sondagem da Construção da Fundação Getúlio Vargas e divulgado durante encontro virtual promovido para apresentar o 2º Modern Construction Show, previsto para ocorrer de 29 de setembro a 1º de outubro em São Paulo.
O IGIC passou de 14,8 para 15,7 pontos no período, sinal de expansão, mas ainda distante do potencial que líderes do setor reconhecem como possível. Para executivos de entidades especializadas, o caminho para crescimento mais expressivo passa por dois vetores principais: a habitação residencial de grande porte e a reforma tributária em curso no país.
Reforma tributária como nivelador de competitividade
Até recentemente, a construção industrializada operava em desvantagem fiscal em relação à construção convencional. Enquanto o segmento industrializado pagava ICMS — imposto de circulação de mercadorias —, a construção convencional se enquadrava no ISS, de serviços. A diferença criava uma assimetria tributária que tornava a solução industrializada comparativamente mais cara.
Com a reforma tributária, essa distinção tende a ser eliminada. “Os dois sistemas vão estar no mesmo nível de impostos, o que vai ajudar na competitividade”, avaliou Ulysses B. Nunes, presidente executivo da Associação Brasileira da Construção Metálica (ABCEM). Para o executivo, a equalização fiscal, combinada à redução das taxas de juros e à manutenção dos investimentos em infraestrutura, cria “fundamentos para o crescimento da industrialização da construção”.
Habitação: o campo aberto da construção industrializada
Se em setores como papel e celulose, petróleo e centros de distribuição a construção industrializada já conta com presença consolidada — inclusive com escala que garante competitividade de preços —, no mercado residencial a penetração ainda é baixa.
“A grande oportunidade é a construção civil residencial dos grandes edifícios. É um segmento de campo aberto para utilização de estrutura metálica ou mista”, disse Nunes. Fernando Canova, coordenador da Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto (ABCIC), compartilha dessa visão: “A nossa fronteira de expansão são edifícios altos e construção habitacional. A gente verifica que a construção habitacional ainda representa um percentual baixo de utilização de estruturas pré-fabricadas de concreto”.
A indústria de pré-fabricados de concreto opera, segundo Canova, com taxa de ocupação acima de 70%, o que indica demanda aquecida. Entre as soluções industrializadas disponíveis estão drywall, painéis cimentícios, estruturas em aço, steel frame e fachadas pré-fabricadas.
Escassez de mão de obra impulsiona mudança
Além dos fatores econômicos, a transformação em direção à industrialização também é motivada por pressões estruturais. A falta de mão de obra especializada nos canteiros e as exigências crescentes de sustentabilidade têm funcionado como catalisadores da mudança. Nunes classificou esse movimento como “irreversível”, ainda que o ritmo de adoção seja mais lento do que o setor gostaria.
“Tanto as construtoras como as incorporadoras vêm entendendo essas necessidades”, observou. O 2º Modern Construction Show, que reúne o tema, deve ser uma vitrine dos avanços recentes em produtividade, tecnologia e novos sistemas construtivos para a indústria nacional.


