Fortaleza – CE | sexta-feira 18 de setembro de 2026 / 17:27

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Setor da construção acumula 1,1% de crescimento, mas juros travam avanço

Mesmo com a quinta redução consecutiva da Selic, a taxa ainda em dois dígitos compromete decisões de investimento e novos projetos no longo prazo, alerta a CBIC.

Depois de crescer 2,8% no primeiro trimestre de 2026, a construção civil brasileira desacelerou no período seguinte: o setor recuou 0,4% no segundo trimestre, na comparação com os três meses anteriores. No acumulado do primeiro semestre, o resultado ficou em 1,1% de alta — número positivo, mas insuficiente para esconder a perda de ritmo que preocupa o setor.

O diagnóstico foi traçado pela economista-chefe da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Ieda Vasconcelos, ao comentar a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), anunciada na quarta-feira (16), de reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual — de 14% para 13,75% ao ano. “Os juros elevados ajudam a explicar esse cenário”, disse Vasconcelos.

Juros altos na construção civil: impacto além do presente

Para a CBIC, a quinta queda consecutiva da Selic é positiva, mas ainda não resolve o problema central do setor. A taxa segue em dois dígitos desde o início de 2022 — um dos patamares mais elevados do mundo —, e isso afeta não apenas a atividade atual, mas também as perspectivas de médio prazo.

“A construção tem um ciclo produtivo longo e precisa de planejamento, crédito e previsibilidade. Quando as taxas permanecem elevadas por muito tempo, o impacto não fica restrito à atividade no presente: ele alcança também as decisões sobre novos projetos e pode comprometer os investimentos futuros”, explicou Vasconcelos.

Dados da Sondagem da Indústria da Construção, realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em parceria com a CBIC, confirmam a percepção no mercado: as taxas de juros elevadas são apontadas pelos empresários como o principal obstáculo enfrentado pelo setor.

O apelo por um ambiente macroeconômico mais estável

Eduardo Aroeira Almeida, presidente da CBIC, reconheceu o avanço representado pela nova redução, mas ressaltou que o desafio ainda é significativo: “Estamos com juros de dois dígitos desde o início de 2022, o que representa um grande desafio para o empresário, especialmente em um setor como a construção, que trabalha com projetos de longo prazo e depende de crédito e previsibilidade”.

Aroeira Almeida cobrou continuidade no processo de redução da Selic e estabilidade macroeconômica como condições para retomada mais robusta. “Precisamos avançar na construção de um ambiente macroeconômico estável, que permita a continuidade desse movimento de redução dos juros de forma sustentável e estimule novos investimentos”, afirmou.

  • Selic atual: 13,75% ao ano
  • Variação: -0,25 p.p. na decisão do Copom de 16 de setembro de 2026
  • Crescimento da construção no 1T26: +2,8%
  • Variação no 2T26: -0,4% (ante trimestre anterior)
  • Acumulado no 1º semestre: +1,1%

A decisão de cortar os juros ocorre em um contexto de desaceleração mais ampla da economia brasileira, ainda que o mercado de trabalho siga dinâmico. Para a CBIC, a continuidade do ciclo de cortes é fundamental para que o setor retome seu papel de motor de empregos e investimentos no país.

Fonte: Redação
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