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Digitalização da indústria brasileira recebe R$ 119,8 bilhões

Financiamento público dobra no país, mas baixa maturidade fabril e juros elevados desafiam modernização tecnológica.

O processo de digitalização da indústria brasileira mobilizou R$ 119,8 bilhões em linhas de crédito contratadas entre o início de 2023 e junho de 2026. Os recursos foram direcionados por meio do Plano Mais Produção (P+P), braço financeiro da política industrial Nova Indústria Brasil (NIB), que já concedeu um total acumulado de R$ 755,2 bilhões distribuídos em mais de 610 mil projetos em todas as regiões do país.

O volume anual de aportes voltados à modernização de sistemas fabris mais que dobrou nos últimos três anos, somando mais de 57 mil iniciativas aprovadas na área de conectividade e automação de linhas. Além dos projetos digitais, o financiamento federal contemplou frentes prioritárias como aumento de produtividade (R$ 507,7 bilhões), inovação tecnológica (R$ 82,5 bilhões) e transição ecológica (R$ 73,8 bilhões).

Gargalos estruturais e digitalização da indústria brasileira

Apesar do expressivo volume de capital disponibilizado pelos bancos de desenvolvimento, o avanço da digitalização da indústria brasileira ainda enfrenta barreiras estruturais relevantes. Levantamentos setoriais apontam que apenas 23,5% das indústrias nacionais contavam com processos plenamente integrados e digitalizados até recentemente, cenário que exige programas continuados de capacitação técnica para pequenas e médias empresas.

A distribuição geográfica dos financiamentos revela forte assimetria regional. O Sudeste concentrou cerca de 46% do crédito aplicado, seguido pelo Sul (22%), Nordeste (14%), Centro-Oeste (11%) e Norte (7%). Iniciativas como o programa Brasil Mais Produtivo têm buscado reduzir essa disparidade, prestando consultoria operacional direta a mais de 20 mil empreendimentos de menor porte.

Custo do capital e perspectivas para o mercado B2B

Outro elemento determinante para o ritmo das transformações tecnológicas é o patamar da taxa básica de juros. Especialistas do setor destacam que encargos financeiros elevados desestimulam a tomada de crédito para investimentos de maturação mais longa, restringindo a adesão a softwares de gestão preditiva e robótica avançada.

Por outro lado, o comércio eletrônico entre empresas (B2B) já movimenta aproximadamente R$ 100 bilhões anuais no Brasil, demonstrando que as companhias capazes de integrar cadeias de suprimentos inteligentes e canais digitais de venda conseguem capturar ganhos imediatos de competitividade e escala operacional.

Fonte: Redação
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