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Juros na construção civil atingem segundo maior patamar histórico

Sondagem da CNI revela que quatro em cada dez construtoras enfrentam dificuldades financeiras e acesso restrito ao crédito.

O impacto dos juros na construção civil voltou a se intensificar e já representa a principal preocupação operacional e financeira dos empresários do setor em todo o país. De acordo com a Sondagem da Indústria da Construção, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), 40% das empresas apontaram as taxas de financiamento elevadas como o maior obstáculo enfrentado durante o terceiro trimestre de 2026.

O índice representa um avanço de 3,8 pontos porcentuais na comparação direta com o trimestre imediatamente anterior, atingindo a segunda maior marca de toda a série histórica da pesquisa, iniciada em 2015. O aperto monetário continua encarecendo o capital de giro e postergando decisões de novos investimentos imobiliários e obras de infraestrutura.

Aperto nas condições financeiras e juros na construção civil

A percepção negativa dos empresários reflete a deterioração dos indicadores de crédito. O indicador que mensura a facilidade de acesso a empréstimos bancários recuou para 36,9 pontos no trimestre, permanecendo consideravelmente abaixo da linha divisória de 50 pontos, o que consolida um cenário de forte restrição aos financiamentos bancários corporativos.

Acompanhando esse movimento, o nível de satisfação das companhias com o lucro operacional caiu para 40,7 pontos, o menor patamar registrado desde o início de 2024. A combinação entre crédito caro e custos crescentes de insumos comprime a rentabilidade das obras contratadas, enquanto a satisfação com a saúde financeira geral ficou estagnada em 45,2 pontos.

Carga tributária e escassez de profissionais completam o cenário

Além da pressão financeira direta, a elevada carga tributária manteve-se firme na segunda colocação entre os entraves setoriais, citada por 31% dos industriais ouvidos pela sondagem. Já a falta e o alto custo da mão de obra não qualificada subiram para a terceira colocação, alcançando 29% das respostas.

Apesar do ambiente macroeconômico adverso e das dificuldades na captação de recursos, entidades da construção civil defendem que a previsibilidade nas regras de financiamento habitacional e o avanço de métodos construtivos industrializados serão fundamentais para preservar o nível de atividade e manter o ritmo de contratações no último trimestre do ano.

Fonte: Redação
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