O otimismo dos empresários da construção civil sofreu um revés no segundo mês do ano. O Índice de Confiança da Construção (ICST), medido pelo FGV IBRE, apresentou uma queda de 2,5 pontos em fevereiro, fixando-se em 91,5 pontos. A média móvel trimestral do indicador também acompanhou o movimento negativo, recuando 0,8 ponto.
Para Ana Maria Castelo, Coordenadora de Projetos da Construção do FGV IBRE, o resultado anula praticamente todo o avanço conquistado em janeiro. Ela observa que, embora o cenário econômico não tenha sofrido alterações drásticas e os fundamentos de crescimento permaneçam, as fragilidades do setor estão se intensificando, o que compromete a percepção de melhora contínua.
O gargalo mais severo apontado pelos gestores é a falta de trabalhadores qualificados. Em fevereiro, 41,6% das empresas indicaram a escassez de profissionais como o principal obstáculo para a expansão dos negócios. Esse é o maior índice registrado para o mês desde 2011, consolidando-se como o maior entrave do setor desde maio de 2024. O segundo fator mais citado foi a demanda insuficiente, lembrada por 22,9% dos respondentes.
A retração da confiança foi impulsionada pela piora generalizada em seus subíndices. O Índice de Situação Atual (ISA-CST) encolheu 2,4 pontos, caindo para 91,0 pontos, enquanto o Índice de Expectativas (IE-CST) diminuiu 2,5 pontos, chegando a 92,1 pontos.
Dentro do ISA-CST, a avaliação sobre a situação atual dos negócios caiu para 89,7 pontos (menos 2,4 pontos) e o volume da carteira de contratos baixou para 92,4 pontos (queda de 2,5 pontos). Nas projeções futuras do IE-CST, a demanda prevista para o próximo trimestre perdeu 2,8 pontos (ficando em 94,4), e a tendência dos negócios para os próximos seis meses diminuiu 2,2 pontos (para 89,8 pontos).
Por fim, o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (NUCI) da Construção teve uma leve redução de 0,3 ponto percentual, marcando 77,1%. O desempenho foi misto entre os insumos produtivos: enquanto a utilização de Mão de Obra subiu 0,3 p.p. (para 78,7%), o uso de Máquinas e Equipamentos caiu 1,3 p.p., encerrando o mês em 71,7%.