O fechamento de contas de uma das maiores feiras do agronegócio nacional acabou se transformando no centro de um embate metodológico e estatístico. No encerramento da Expointer 2026, realizada em Esteio, no Rio Grande do Sul, duas visões completamente diferentes sobre a movimentação financeira foram apresentadas ao público, revelando a complexidade de medir os humores do agronegócio brasileiro em tempos desafiadores.
De um lado, um levantamento setorial indicou retração, enquanto dados oficiais ostentaram recordes históricos, levantando dúvidas sobre os parâmetros utilizados na captação dessas informações.
Visões opostas sobre as vendas
Segundo dados revelados pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), o ímpeto de compra dos produtores rurais durante a feira esteve cerca de 25% mais tímido do que no evento de 2025. O estudo, que consultou o termômetro comercial entre as empresas associadas à entidade presentes na feira, espelhou a cautela predominante no setor primário.
Na contramão dessa percepção de esfriamento, a organização oficial do evento — representada também pelo sindicato gaúcho da categoria (Simers) — projetou um panorama extremamente otimista. Os organizadores divulgaram que as perspectivas de negócios atingiram expressivos R$ 5,46 bilhões. Esse salto representaria uma expansão surpreendente de 45% sobre os R$ 3,75 bilhões negociados no ano anterior.
Contexto macroeconômico e o peso das metodologias
Em nota para justificar o descompasso entre as cifras, a Abimaq argumentou que a discrepância pode ter raízes na disparidade de amostragem e nas abordagens de pesquisa adotadas pelas instituições. A associação ressaltou que a ausência de detalhes sobre os critérios oficiais dificulta uma comparação técnica direta entre os balanços.
Contudo, para representantes das indústrias, a queda detectada na feira reflete de forma mais fiel a realidade crua do campo nos últimos meses. De acordo com lideranças do segmento de maquinário, o setor acumula uma redução drástica de 26% no faturamento ao longo do ano, influenciada por margens mais espremidas dos produtores, variações climáticas e a cautela na aprovação de novos financiamentos rurais. Dessa forma, a promessa de negócios bilionários anunciada pelos organizadores foi recebida com ressalvas por parte dos fabricantes de máquinas agrícolas que operam no mercado nacional.


