A indústria de pneumáticos registrou retração no acumulado de 2025, reflexo da queda nas vendas internas e do aumento da pressão competitiva de produtos importados. De acordo com a Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (Anip), o volume total de pneus vendidos entre janeiro e setembro foi de 29,03 milhões de unidades, queda de 2,7% em relação ao mesmo período de 2024, quando foram comercializados 29,83 milhões.
No segmento de pneus de carga, a redução foi de 5,2%, totalizando 4,84 milhões de unidades contra 5,10 milhões no ano anterior. A maior retração ocorreu no mercado de reposição, que caiu 7,6%, com 3,42 milhões de pneus vendidos, ante 3,70 milhões em 2024. Já as montadoras registraram leve crescimento de 1,2%, passando de 1,39 milhão para 1,41 milhão de unidades.
O presidente da Anip, Rodrigo Navarro, destacou a gravidade do cenário. “A indústria nacional enfrenta uma concorrência desleal com pneus importados que chegam ao Brasil por valores abaixo do mercado internacional, muitas vezes sem atender às normas técnicas e ambientais. Isso tem provocado uma deterioração preocupante na cadeia produtiva, que envolve fornecedores de aço, borracha natural, químicos e têxteis”, alertou.
Entre todos os segmentos (automóveis, comerciais leves, carga e motos), as vendas para o mercado de reposição somaram 18,87 milhões de unidades até setembro, recuo de 7% em relação aos 20,30 milhões do mesmo período de 2024. Por outro lado, o fornecimento para montadoras cresceu 6,6%, chegando a 10,16 milhões de unidades, contra 9,53 milhões no ano anterior.
Em setembro, o setor também registrou queda mensal de 10,5% nas vendas de pneus de carga, totalizando 527.728 unidades, ante 589.561 em 2024. Na comparação com agosto, a retração foi de 4,9%. As vendas para reposição recuaram 11%, enquanto as entregas às montadoras diminuíram 9%.
Na balança comercial, o déficit do setor somou US$ 298,1 milhões entre janeiro e setembro, com exportações de US$ 837,36 milhões e importações de US$ 1,13 bilhão. Embora ainda negativo, o saldo melhorou em relação ao mesmo período de 2024 (US$ 729,04 milhões), impulsionado pelo aumento de 8,6% nas exportações. Em volume, o Brasil importou 31,22 milhões de pneus até setembro, uma queda de 24,5% frente a 2024, enquanto as exportações cresceram 2,8%, alcançando 8,64 milhões de unidades.
Segundo a Anip, a criação de condições mais equilibradas de competição é essencial para garantir a sustentabilidade da indústria nacional e preservar empregos em toda a cadeia automotiva.