A indústria europeia de equipamentos de construção ensaia uma retomada após um período de turbulência. O Relatório Econômico Anual do CECE (Committee for European Construction Equipment) indica que, após atingir o fundo do poço em 2025, o mercado começa a se estabilizar. A projeção para 2026 é de um crescimento moderado, oscilando entre 2% e 2,5%.
O ano passado serviu como um ponto de transição. Apesar de um cenário macroeconômico fraco, com o PIB europeu avançando apenas 0,9% e juros ainda elevados, as vendas de equipamentos conseguiram registrar uma alta de 4,6%. Esse resultado foi sustentado fundamentalmente pelo investimento em infraestrutura e engenharia civil, que cresceu cerca de 3%, compensando o declínio acentuado na construção residencial e imobiliária.
Desafios estruturais permanecem
Para 2026, a expectativa do comitê é que a estabilização das taxas de juros e a continuidade dos programas de obras públicas favoreçam o setor. A recuperação da habitação, após dois anos de baixa, também deve contribuir para o índice positivo.
Contudo, Riccardo Viaggi, Secretário-Geral do CECE, alerta que a recessão pode ter ficado para trás, mas os obstáculos persistem. “As barreiras comerciais estão aumentando, a concorrência chinesa está se intensificando e o excesso de regulamentação continua a pesar sobre a indústria europeia”, afirma. Com o mercado dos Estados Unidos sob pressão e imprevisível, a recomendação da entidade é que a Europa foque no fortalecimento de seu mercado interno e na cooperação entre indústria e decisores políticos para garantir condições equitativas de competição.