Fortaleza – CE | sexta-feira 18 de setembro de 2026 / 19:58

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Ceará lidera inadimplência de aluguéis no Brasil e atinge maior taxa em 10 meses

Estado registra 6,03% de atraso nos pagamentos, superando a média nacional e revelando o peso crescente da moradia no orçamento das famílias cearenses.

O Ceará alcançou, em agosto, a maior taxa de inadimplência de aluguéis do país, segundo levantamento da plataforma Superlógica. O índice chegou a 6,03%, o maior patamar dos últimos dez meses, ultrapassando todos os outros 13 estados analisados. Em segundo lugar aparece o Maranhão (5,73%), seguido de Pernambuco (4,87%).

Em julho, a taxa cearense era de 5,5%, evidenciando um avanço considerável. Para Manoel Gonçalves, diretor de negócios para imobiliárias da Superlógica, o cenário mostra que o peso da moradia segue pressionando o orçamento das famílias.

“O índice permanece acima da média nacional e exige atenção redobrada, especialmente diante das possíveis pressões inflacionárias e do cenário de juros altos”, pontua o executivo.

A média nacional de inadimplência ficou em 3,76% no período. Já em Fortaleza, o índice atingiu 5,93%, a maior entre todas as capitais avaliadas.

Os aluguéis residenciais e comerciais seguem sendo reajustados pelo Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), que acumula alta de 2,82% em 12 meses até setembro.

Segundo o IBGE, o número de domicílios alugados no Ceará chegou a 706 mil em 2024, o maior da série histórica iniciada em 2016. O total de pessoas que vivem em imóveis alugados também é recorde: 1,9 milhão no ano passado.

Renegociação é o caminho

Para Adriana Neves, vice-presidente do Creci Ceará, a inadimplência é mais forte em imóveis residenciais. Ela recomenda que o inquilino busque negociação imediata ao enfrentar dificuldades financeiras.

“A renegociação é essencial. Durante a pandemia, muitos contratos foram ajustados e isso beneficiou tanto proprietários quanto locatários”, destaca.

Nordeste lidera índices

A região Nordeste apresentou a maior taxa de inadimplência regional, com 4,94%, acima da média brasileira. Nos apartamentos, o índice caiu de 3,22% para 2,88%, enquanto nas casas alugadas houve leve redução, de 6,39% para 6,30%. Já os imóveis comerciais registraram alta, passando de 7,21% para 7,98%, número superior à média nacional de 5,20%.

Faixas de valor mais afetadas

Em todo o país, os aluguéis acima de R$ 13 mil apresentaram taxa de inadimplência de 7,02%, mantendo tendência de alta desde junho. Na outra ponta, imóveis com aluguéis de até R$ 1.000 também registraram aumento, de 6,14% para 6,32%. Já os contratos entre R$ 2.000 e R$ 5.000 mantiveram taxas mais baixas, próximas de 2,3%.

O levantamento reforça a necessidade de diálogo entre locadores e inquilinos e mostra que o mercado de locação segue pressionado, especialmente nas regiões com menor renda média familiar, como o Nordeste.

Fonte: Redação
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