Fortaleza – CE | quarta-feira 25 de fevereiro de 2026 / 14:15

Crédito imobiliário encolhe no Ceará em 2025, mas mercado se ajusta e mantém ritmo de vendas

Financiamentos via SBPE caem quase 19% no estado, pressionados pelos juros elevados, enquanto lançamentos e vendas avançam com foco em imóveis mais acessíveis

O financiamento imobiliário com recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) registrou retração significativa no Ceará em 2025. Ao longo do ano, o volume financiado somou R$ 2,7 bilhões, queda de 18,7% em relação ao ano anterior. Os dados são da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) e refletem um ambiente de crédito mais restritivo, marcado por juros elevados e menor disponibilidade de recursos da poupança.

Entre janeiro e novembro de 2025, foram financiados aproximadamente 7,8 mil imóveis no estado, o que representa recuo de 22,1% na comparação anual. No mesmo intervalo de 2024, o Ceará havia registrado R$ 3,4 bilhões em financiamentos imobiliários e cerca de 10 mil unidades habitacionais contratadas.

Apesar do cenário mais adverso ao longo do ano, novembro de 2025 apresentou desempenho positivo. No mês, os financiamentos com recursos do SBPE alcançaram R$ 293,9 milhões, com 929 imóveis financiados, superando os resultados observados em novembro de 2024 e sinalizando uma reação pontual do mercado.

Para o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Ceará (Sinduscon-CE), Patriolino Dias, a queda no volume de crédito não representa uma retração estrutural do mercado imobiliário, mas sim um movimento de adaptação. Segundo ele, a elevação dos juros e a redução dos recursos disponíveis tornaram o crédito mais seletivo, levando incorporadoras a ajustarem seus produtos ao novo perfil de demanda.

De acordo com Patriolino, entre janeiro e outubro de 2025, os lançamentos imobiliários em Fortaleza cresceram cerca de 18%, impulsionados principalmente pelo segmento econômico, que avançou aproximadamente 33%. No mesmo período, as vendas totais aumentaram em torno de 22% no número de unidades comercializadas, enquanto o Valor Geral de Vendas (VGV) subiu cerca de 16%, atingindo R$ 4,83 bilhões.

O dirigente destaca que o comportamento do consumidor mudou. As famílias continuam adquirindo imóveis, porém com preferência por unidades menores, mais eficientes e com melhor relação entre custo e benefício, em resposta ao encarecimento do financiamento.

Juros altos pressionam a classe média
Na avaliação do vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), André Montenegro, o principal entrave para o crédito imobiliário é o patamar elevado dos juros. Ele ressalta que o impacto é mais intenso sobre a classe média, que enfrenta maior dificuldade para arcar com o custo das parcelas e, em muitos casos, acaba adiando a compra da casa própria.

Atualmente, as taxas de financiamento imobiliário com recursos da poupança praticadas pelos grandes bancos partem de cerca de 11,29% ao ano, acrescidas da Taxa Referencial (TR). Nos últimos 12 meses, a TR acumulou aproximadamente 1,97%, fazendo com que o custo efetivo do financiamento ultrapasse 13% ao ano. Esse nível de juros reduz a capacidade de financiamento das famílias e encarece significativamente o valor final do imóvel.

Cenário nacional também é de retração
A desaceleração do crédito imobiliário não se limita ao Ceará. Em âmbito nacional, o volume de financiamentos com recursos do SBPE também diminuiu em 2025. Segundo a Abecip, entre janeiro e novembro, o total financiado no Brasil foi de R$ 140,1 bilhões, representando queda de 17,1% em relação ao mesmo período de 2024.

O número de imóveis financiados acompanhou esse movimento. Nos 11 primeiros meses de 2025, cerca de 408,3 mil unidades foram contratadas, redução de 21% na comparação anual. Apenas em novembro, o recuo foi de 16,7% frente ao mesmo mês do ano anterior, com 39,2 mil imóveis financiados no país.

Expectativas para 2026
Apesar das dificuldades, o setor mantém uma visão cautelosamente otimista para 2026. Para Patriolino Dias, o sonho da casa própria não desapareceu, mas passa por um processo de transformação. O crescimento das vendas no segmento econômico, segundo ele, demonstra que a demanda segue ativa, mesmo em um ambiente macroeconômico desafiador.

A expectativa é de que uma eventual redução da taxa Selic ao longo de 2026 contribua para a retomada do crédito imobiliário. A queda dos juros tende a diminuir o custo dos financiamentos, ampliar o acesso das famílias ao crédito e fortalecer a confiança dos compradores, criando condições mais favoráveis para o mercado imobiliário nos próximos anos.

Fonte: Redação

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