Fortaleza – CE | quarta-feira 25 de fevereiro de 2026 / 14:11

Novas regras do Minha Casa Minha Vida ampliam tetos de financiamento

Com orçamento recorde do FGTS fixado em R$ 160,5 bilhões para 2026, atualizações no programa federal reduzem juros, aumentam subsídios e impulsionam o balanço de construtoras como a MRV.

O mercado habitacional brasileiro inicia 2026 sob uma nova dinâmica estrutural. A entrada em vigor das diretrizes atualizadas do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV) trouxe um aumento nos limites de financiamento, além da ampliação de subsídios e do corte nas taxas de juros. O foco das medidas está no atendimento das famílias de menor poder aquisitivo, classificadas nas faixas 1 e 2.

A base financeira para sustentar essas mudanças é um orçamento histórico do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para o ano de 2026, totalizando R$ 160,5 bilhões. Desse montante, R$ 144,5 bilhões são exclusivos para o setor habitacional. Há ainda uma reserva de R$ 12,5 bilhões carimbada para descontos e facilitação da entrada na compra do imóvel por populações de baixa renda.

Geograficamente, o novo pacote atinge 75 municípios brasileiros, englobando uma população de 51,8 milhões de pessoas. O impacto das medidas é projetado para ser especialmente forte nas regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste do país.

Com as correções, que representam reajustes entre 4% e 6% frente aos parâmetros anteriores, o valor máximo dos imóveis que podem ser financiados pelas faixas 1 e 2 passou para a faixa de R$ 255 mil a R$ 270 mil. O teto varia conforme a classificação urbana e o tamanho da cidade.

Em metrópoles que concentram mais de 750 mil habitantes, o limite habitacional agora é de R$ 270 mil. Já para os municípios de médio porte e capitais regionais, os valores máximos autorizados transitam entre R$ 255 mil e R$ 260 mil.

No ambiente corporativo, construtoras com forte atuação no segmento econômico já sentem os reflexos. A MRV calcula que as novas regras expandiram em 37% a oferta de unidades do seu estoque elegíveis para as faixas 1 e 2, em comparação com as normas vigentes em 2024. Atualmente, essas duas faixas representam uma fatia expressiva das vendas da companhia, respondendo por 22% e 35% das comercializações, respectivamente.

O foco no MCMV já havia se mostrado uma estratégia de alta resiliência financeira para a empresa durante os primeiros nove meses de 2025. Mesmo diante de juros elevados, a construtora lançou mais de 31 mil residências no período, sendo 97% delas enquadradas no programa federal. O resultado dessa concentração foi um salto de 17,6% na receita operacional e um avanço de 35,5% no lucro bruto.

Para o CEO da MRV, Eduardo Fischer, a escassez de moradias no país garante a força contínua do setor. “O nosso mercado sempre tem demanda. O déficit habitacional no Brasil é muito significativo, e o programa federal tem um papel importante ao oferecer subsídios e condições de financiamento que viabilizam o acesso à moradia”, pontua o executivo.

Fischer também destaca que o cenário macroeconômico atual joga a favor da indústria da construção civil. “Temos não só o Minha Casa Minha Vida, mas também programas regionais que ajudam a população a conquistar a casa própria. Existe um contexto macro positivo para a indústria. Olhamos para 2026 com bastante otimismo”, conclui o CEO.

Fonte: Redação

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