Fortaleza – CE | quarta-feira 25 de fevereiro de 2026 / 17:51

Novo modelo de crédito habitacional pode injetar R$ 37,5 bilhões e impulsionar mercado imobiliário

Medida do governo federal libera parte do compulsório bancário para ampliar financiamentos, com potencial de dobrar o crédito imobiliário e fortalecer a construção civil nos próximos anos

O governo federal anunciou um novo modelo de crédito habitacional que promete transformar o financiamento imobiliário no país e impulsionar a economia. A iniciativa, desenvolvida pelo Banco Central em parceria com os Ministérios da Fazenda e das Cidades e apoio da Caixa Econômica Federal, pode injetar até R$ 37,5 bilhões no sistema financeiro, estimulando o acesso à casa própria e a geração de empregos no setor da construção civil.

A medida altera as regras de direcionamento dos recursos da poupança e reduz o depósito compulsório para bancos que ampliarem suas carteiras de crédito habitacional. Atualmente, 65% dos depósitos da poupança são destinados a empréstimos imobiliários, 20% ficam retidos no Banco Central e 15% são de uso livre das instituições. O novo modelo permitirá liberar até 5 pontos percentuais do compulsório, desde que haja aumento na concessão de financiamentos.

A lógica é simples: a cada R$ 1 em novos empréstimos imobiliários, o banco poderá acessar R$ 1 em recursos antes bloqueados no Banco Central, com liberdade para utilizá-los por até cinco anos. Essa estrutura reduz o compulsório efetivo de 20% para 15%, gerando liquidez imediata no sistema financeiro e uma injeção inicial estimada em R$ 20 bilhões, que pode chegar a R$ 37,5 bilhões conforme a adesão dos bancos.

O modelo será testado em 2026 e, se aprovado, passará a vigorar permanentemente em 2027, consolidando uma nova base de funding habitacional. Com mais recursos disponíveis, o crédito imobiliário — atualmente em torno de R$ 90 bilhões anuais — pode dobrar até 2027, alcançando R$ 200 bilhões, segundo projeções de mercado.

O impacto esperado é amplo: mais crédito para moradia, condições mais acessíveis para o comprador e estímulo ao setor da construção, que emprega mais de 3 milhões de trabalhadores formais, o maior contingente desde 2014, conforme dados do Novo Caged.

A medida também deve aumentar a concorrência bancária. Ao liberar recursos para operações mais rentáveis, os bancos podem compensar margens menores no crédito imobiliário, pressionando para baixo as taxas de juros e oferecendo prazos mais longos. Esse movimento tende a gerar um ciclo positivo de confiança e investimento, com impacto direto no mercado imobiliário residencial.

O Sistema Financeiro da Habitação (SFH), responsável por 80% dos recursos direcionados ao crédito habitacional, será o principal beneficiado. A expectativa é de forte retomada de lançamentos e destravamento de projetos antes represados pelo alto custo do financiamento. Terrenos e empreendimentos enquadrados no limite do SFH ganham destaque estratégico, especialmente entre as construtoras focadas na classe média e média alta.

A Caixa Econômica Federal será protagonista no processo, com previsão de liberar entre R$ 20 e R$ 25 bilhões em crédito adicional. O banco público atuará como líder na expansão do financiamento habitacional, servindo de referência para o sistema financeiro. Bancos privados, por sua vez, devem aderir ao programa motivados pela possibilidade de utilizar parte do compulsório em outras operações rentáveis, o que deve acirrar a concorrência e fortalecer o mercado.

Mais do que uma mudança operacional, a criação desse modelo representa uma reforma estrutural no financiamento habitacional brasileiro. Ao combinar eficiência de mercado com política pública de moradia, o governo busca destravar investimentos, estimular o emprego e ampliar o acesso à casa própria.

“Se implementado com sucesso, o programa pode marcar o início de um novo ciclo de crescimento para o setor imobiliário, reforçando o papel da construção civil como motor do desenvolvimento econômico e social do país”, avaliam analistas do mercado financeiro.

Com a iniciativa, o Brasil dá um passo decisivo rumo a um sistema de crédito mais dinâmico, competitivo e inclusivo, capaz de sustentar o crescimento do setor imobiliário e impulsionar a economia real nos próximos anos.

Fonte: Redação

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