Fortaleza – CE | quarta-feira 25 de fevereiro de 2026 / 17:20

Queda da Selic e geração Z preparam terreno para novo ‘Boom’ imobiliário

Vendas em São Paulo ultrapassam 150 mil unidades em 12 meses. O avanço do capital estrangeiro e a busca por rentabilidade real acima da inflação consolidam o otimismo no setor de construção.

O mercado imobiliário brasileiro demonstra um vigor excepcional e se prepara para um possível novo salto de crescimento em 2026. Mesmo enfrentando o maior patamar de juros das últimas duas décadas, o setor aposta no início do ciclo de cortes da Selic pelo Comitê de Política Monetária (Copom) para alavancar ainda mais os negócios.

Os números da cidade de São Paulo, principal termômetro nacional, refletem esse aquecimento. Dados da Brain Inteligência Estratégica apontam que o volume de imóveis comercializados saltou de 138,8 mil, no segundo trimestre de 2025, para 151,7 mil no acumulado de 12 meses até o terceiro trimestre do mesmo ano.

Esse apetite comprador se repete em todo o país, com 50% dos brasileiros declarando intenção de adquirir uma propriedade em curto ou médio prazo. Contrariando o senso comum, a Geração Z (jovens entre 21 e 28 anos) é a protagonista dessa demanda, representando 56% das intenções de compra. Fábio Tadeu Araújo, CEO da Brain, destaca que a ideia de que o jovem prefere alugar é um mito, ressaltando o desejo dessa faixa etária por formar patrimônio.

Outro motor desse crescimento é a migração de capital do mercado financeiro para a economia real. Com o Ibovespa alcançando ganhos históricos (alta de 12,56% em janeiro), investidores têm realizado lucros na bolsa para alocar recursos em “tijolo”. No último trimestre de 2025, as aquisições voltadas para investimento (aluguel ou revenda) chegaram a 26%, superando os 20% do ano anterior.

A rentabilidade do setor tem justificado a estratégia. Em São Paulo, o metro quadrado valorizou 2,1% nos últimos três meses de 2025. Descontando a inflação de 1,2% (IPCA) do período, o ganho real foi de 0,89%, tornando o imóvel altamente competitivo frente à renda fixa.

Esse cenário atrativo também capturou a atenção de fundos internacionais. Elcilio Brito, do Grupo BSJ, aponta um aumento de até 35% na procura de investidores estrangeiros direcionados especificamente para o mercado do Rio de Janeiro. Apesar de todo o otimismo, especialistas alertam que fatores externos, como possíveis mudanças na escala de trabalho 6×1, podem trazer desafios para a dinâmica de contratação do setor construtivo.

Fonte: Redação

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