Fortaleza – CE | domingo 1 de março de 2026 / 00:06

Queda do Minha Casa, Minha Vida no Ceará expõe falta de imóveis

Programa lançado em maio somou apenas 253 vendas no Estado até agosto; especialistas apontam escassez de lançamentos como principal obstáculo para atender à classe média

Lançada em 15 de maio de 2025, a Faixa 4 do Minha Casa, Minha Vida (MCMV), destinada à classe média, ainda enfrenta dificuldades para ganhar ritmo no Ceará. Até 22 de agosto, apenas 253 unidades foram comercializadas no Estado, somando R$ 58,3 milhões em financiamentos. O número representa apenas 2,78% do total de 9,1 mil imóveis vendidos no país.

De acordo com o Ministério das Cidades, o valor nacional de financiamentos nessa faixa atingiu R$ 2,28 bilhões, distribuídos entre recursos do FGTS e do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE). Os imóveis enquadrados na Faixa 4 variam entre R$ 350 mil e R$ 500 mil, com renda familiar exigida de R$ 8 mil a R$ 12 mil.

Mercado limitado por falta de lançamentos

Segundo Clausens Duarte, vice-presidente da área imobiliária do Sinduscon-CE, o baixo volume de vendas não está ligado à falta de interesse do público, mas sim à escassez de imóveis disponíveis dentro do padrão da Faixa 4. Ele explica que, por enquanto, as vendas se concentram em estoques remanescentes de empreendimentos que originalmente pertenciam à Faixa 3, mas que, com a valorização imobiliária, migraram naturalmente para a nova categoria.

O especialista em mercado imobiliário e CEO da Brain Inteligência Estratégica, Fábio Tadeu Araújo, reforça que há público interessado, mas faltam oportunidades reais de compra. “Não é que a classe média não aderiu ao programa, é porque realmente faltam imóveis atrativos”, afirma.

Expectativa de crescimento gradual

Apesar do início tímido, especialistas acreditam que a oferta de imóveis aumentará ao longo de 2025 e 2026. Para Duarte, as construtoras estão em processo de adequação à nova realidade, buscando terrenos, licenciando projetos e preparando lançamentos específicos para a faixa. Ele lembra que movimento semelhante ocorreu em 2023, quando o MCMV foi reajustado.

A projeção do Governo Federal é contratar 120 mil unidades em um ano em todo o Brasil. O Ministério das Cidades avalia que a adesão está dentro do esperado e que o programa “evolui de forma contínua”, exigindo tempo para adaptação de famílias e incorporadoras.

Financiamento mais barato que o mercado

A principal vantagem da Faixa 4 está na taxa de juros anual de 10%, inferior à média do mercado, que gira em torno de 12,5%. Isso significa um custo 25% mais baixo para famílias que optam pelo financiamento de longo prazo, geralmente entre 30 e 40 anos.

Contudo, especialistas lembram que o financiamento de imóveis usados exige entrada entre 20% e 30% do valor do bem, o que dificulta a compra. Já os imóveis novos permitem que o consumidor dilua a entrada ao longo do período de obra, tornando a negociação mais acessível.

Perspectivas regionais

Com cerca de 70% da população da Região Metropolitana, Fortaleza deve se consolidar como principal polo de lançamentos da Faixa 4, mas municípios como Eusébio, Maracanaú e Caucaia também aparecem como alternativas estratégicas para atender à classe média local.

Entenda as faixas do MCMV

  • Faixa 1: renda até R$ 2.850, subsídio de até 95% do imóvel.
  • Faixa 2: renda de R$ 2.850,01 a R$ 4,7 mil, subsídio de até R$ 55 mil e juros reduzidos.
  • Faixa 3: renda de R$ 4.700,01 a R$ 8,6 mil, sem subsídios, mas com condições facilitadas.
  • Faixa 4: renda de R$ 8 mil a R$ 12 mil, juros de 10% ao ano, até 420 parcelas e teto de R$ 500 mil.
Fonte: Redação

PUBLICIDADE