Fortaleza – CE | quarta-feira 25 de fevereiro de 2026 / 19:28

Indústria desacelera ritmo de queda e mostra sinais de recuperação em outubro

Mesmo com demanda fraca e impacto das tarifas dos EUA, o setor industrial registra perda de fôlego na contração e mantém otimismo moderado para 2025, segundo dados da S&P Global.

A indústria brasileira apresentou sinais de estabilização em outubro, com desaceleração no ritmo de queda da atividade e menor pressão de custos, de acordo com o Índice de Gerentes de Compras (PMI) da S&P Global. O indicador subiu de 46,5 em setembro para 48,2 em outubro — ainda abaixo da marca de 50 pontos, que separa crescimento de contração, mas mostrando uma melhora após seis meses consecutivos de retração.

A pesquisa revelou que tanto a produção quanto as novas encomendas diminuíram de forma mais branda no mês. A taxa de queda da produção foi a menos intensa desde o início do ciclo de contração, enquanto a redução das vendas foi a mais leve desde maio. Entre os fatores que influenciaram o desempenho estão a reposição de estoques por parte de alguns clientes, investimentos em equipes comerciais e uma demanda pontual por determinados produtos.

Por outro lado, o cenário externo segue desafiador. A demanda internacional por produtos brasileiros registrou o ritmo mais acentuado de enfraquecimento em três meses, com destaque para o impacto das tarifas impostas pelos Estados Unidos. “Houve uma combinação de elementos positivos e negativos. As tarifas norte-americanas aceleraram a queda nas encomendas internacionais, mas observamos uma redução no ritmo geral da desaceleração em outubro”, explicou Pollyanna De Lima, diretora associada de economia da S&P Global Market Intelligence.

As tarifas e sanções aplicadas pelos EUA — motivadas, entre outros fatores, por questões políticas internas — foram tema de discussão entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump em uma reunião no fim de outubro.

O enfraquecimento da demanda e os cortes de custos levaram à maior redução do emprego industrial desde abril de 2023. Ainda assim, algumas empresas relataram dificuldade em preencher vagas por falta de mão de obra especializada.

Em relação aos preços, a pesquisa registrou leve aumento nos custos de insumos após a primeira queda em quase dois anos, ocorrida em setembro. Mesmo assim, a indústria apresentou a segunda redução consecutiva nos preços cobrados, refletindo o esforço das empresas em preservar competitividade.

Apesar do ambiente desafiador, o otimismo para os próximos meses cresceu. Os produtores esperam aumento da produção em 2025, impulsionado por expectativas de recuperação da demanda, novos investimentos e lançamentos de produtos. O nível de confiança do setor atingiu o maior patamar em quatro meses, indicando que a indústria começa a vislumbrar um cenário de retomada gradual após um longo período de retração.

Fonte: Redação

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