As exportações brasileiras de sucata ferrosa — material essencial na fabricação de aço — seguem em ritmo acelerado e já somam 417.709 toneladas no primeiro semestre de 2025. O número representa um crescimento de 21,3% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram exportadas 344.324 toneladas, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), vinculada ao Ministério da Economia.
Somente em junho, foram embarcadas 84.207 toneladas para o exterior, um salto de 23,8% em comparação ao mesmo mês de 2024. Esse avanço tem como principal causa a retração na demanda interna pelas usinas siderúrgicas, que vêm reduzindo sua produção devido a um cenário desfavorável, influenciado por barreiras comerciais e excesso de oferta.
De acordo com o Instituto Nacional de Reciclagem (Inesfa), entidade que representa cerca de 5,5 mil empresas do setor, o aumento das exportações é resultado da falta de interesse da indústria nacional em adquirir a sucata disponível. “As empresas têm recorrido ao mercado externo como alternativa às dificuldades do setor interno, e não vemos mudanças nesse panorama para julho e nos próximos meses”, afirma o presidente do Inesfa, Clineu Alvarenga.
O cenário foi confirmado por levantamento da S&P Global Platts, agência internacional especializada em preços de commodities. A pesquisa revela que as siderúrgicas brasileiras continuam com ritmo de compras muito baixo e que as recicladoras também reduziram aquisições, reflexo direto dos altos níveis de estoque.
Entre os fatores que vêm impactando a cadeia do aço está o aumento da importação de produtos acabados vindos de países como China, Índia, Egito e Turquia. A concorrência internacional, somada às dificuldades para exportar para os Estados Unidos — agravadas pelas tarifas implementadas ainda durante o governo Trump —, vem desequilibrando o setor e levando à diminuição da produção nacional de aço.
Com a menor atividade das usinas, a procura por sucata ferrosa caiu significativamente, o que forçou recicladores e comerciantes a buscar novos mercados no exterior para evitar o acúmulo de material.
A tendência, segundo o Inesfa, é que esse comportamento se mantenha enquanto não houver uma recuperação sólida da indústria siderúrgica nacional ou uma revisão nas políticas de importação e exportação que afetam o setor.


