O Governo Federal decidiu prorrogar por mais um ano a alíquota de 25% do Imposto de Importação sobre seis tipos de produtos processados em aço, atendendo a um pleito da Abimetal-Sicetel – entidade que representa a indústria brasileira de processamento de aço. A medida foi oficializada pela Resolução GECEX nº 740, publicada em 24 de junho no Diário Oficial da União, após deliberação do Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (GECEX).
A manutenção da alíquota incide sobre itens como arames de aço de diferentes teores de carbono, grades e redes galvanizadas soldadas, materiais para andaimes, escoramentos e pregos de aço – produtos de alto valor agregado e de importância estratégica para a indústria nacional.
Medida busca conter avanço das importações e proteger a indústria nacional
De acordo com a Abimetal-Sicetel, a prorrogação da tarifa é uma resposta ao aumento expressivo das importações em setores industriais com elevada sensibilidade à concorrência internacional. Segundo o presidente da entidade, Ricardo Martins, embora temporária, a medida oferece um “alívio necessário diante de uma competição assimétrica com produtos estrangeiros”.
Martins ressaltou que a indústria brasileira de aço vem sofrendo com práticas desleais de comércio exterior, que afetam diretamente a competitividade das empresas locais. “A manutenção das alíquotas ajuda a conter esse avanço e oferece um respiro importante ao setor, mas é essencial a criação de uma política industrial sólida e duradoura”, defendeu.
Setor pede estabilidade e desenvolvimento tecnológico
Além da prorrogação da tarifa, o setor cobra ações complementares para promover um ambiente de negócios mais previsível e sustentável, com segurança jurídica e incentivo à inovação tecnológica. Segundo Martins, somente com um programa industrial consistente será possível assegurar o crescimento da produção nacional e a geração de empregos qualificados no país.
Cenário externo agrava pressão sobre a indústria
A decisão do governo ocorre em meio a um cenário externo desafiador para a indústria brasileira, agravado pela recente elevação das tarifas de importação dos Estados Unidos sobre aço e alumínio para 50%. A nova política americana impacta cadeias produtivas integradas e intensifica as tensões comerciais globais, pressionando ainda mais a indústria nacional.
Com a prorrogação da alíquota de 25%, o governo brasileiro busca preservar a competitividade da produção local e evitar impactos mais severos sobre setores industriais estratégicos. Entretanto, lideranças do setor seguem defendendo ações estruturais e de longo prazo para enfrentar os desafios da concorrência global e estimular a reindustrialização do país.


