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Indústria vê mercado de carbono como oportunidade e quer mais crédito para sustentabilidade

Levantamento da CNI mostra que 44% das empresas enxergam o novo marco legal do carbono como chance de inovação; 66% desejam financiamento verde

Uma pesquisa inédita da Confederação Nacional da Indústria (CNI) revelou que 44% dos empresários industriais consideram o novo marco legal do mercado de carbono uma oportunidade de negócio e inovação. A nova legislação, estabelecida pela Lei 15.042/2024, representa um passo estratégico para o Brasil avançar na transição para uma economia de baixo carbono e cumprir suas metas climáticas internacionais.

Segundo o estudo, 66% das indústrias têm interesse em obter financiamento para ações sustentáveis, com destaque para as regiões Norte e Centro-Oeste (85%), Nordeste (77%) e Sul (65%). A legislação é considerada essencial para viabilizar o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE), que pode movimentar até R$ 128 bilhões, conforme projeções do projeto internacional Partnership for Market Readiness (PMR).

COP 30 impulsiona debate sobre sustentabilidade

O levantamento ocorre em um ano simbólico, já que o Brasil sediará, em novembro, a COP 30, conferência da ONU sobre mudanças climáticas, em Belém (PA). O evento deve catalisar discussões e investimentos em práticas sustentáveis, impulsionando ainda mais a agenda ambiental no país.

Para o diretor de Relações Institucionais da CNI, Roberto Muniz, o interesse crescente da indústria reforça o otimismo com os desdobramentos da conferência. “Mesmo com os desafios do aumento de custos, o setor produtivo mostra disposição em investir na agenda sustentável. Precisamos garantir mais linhas de crédito para apoiar essa transição”, defendeu.

Redução de custos ainda lidera as motivações

A pesquisa mostra que a redução de custos ainda é a principal motivação para os investimentos em sustentabilidade (32%), embora tenha recuado 10 pontos percentuais em relação a 2023. O uso sustentável de recursos naturais (31%) e a adequação a exigências regulatórias (30%) aparecem em seguida como justificativas mais frequentes.

Muniz também destacou a importância de articulações com entidades como o BNDES para ampliar o acesso ao crédito e melhorar a competitividade do setor por meio da sustentabilidade.

Sobre a pesquisa

O estudo “Sustentabilidade e Indústria” foi realizado pela Nexus entre 15 de maio e 17 de junho de 2025, com 1.000 empresas industriais de pequeno, médio e grande porte em todas as regiões do país. O levantamento mostra um setor cada vez mais consciente da importância da agenda climática, mas também dependente de políticas públicas e instrumentos financeiros para converter boas intenções em resultados efetivos.

Fonte: Redação
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