O saneamento básico no Brasil registrou em 2025 seu pior desempenho desde 2020, segundo dados do Ranking de Competitividade dos Municípios, elaborado pelo CLP (Centro de Liderança Pública). O levantamento, divulgado na última semana, avalia a gestão pública em 418 cidades brasileiras com mais de 80 mil habitantes, responsáveis por 60,28% da população do país.
Entre os 13 indicadores do estudo, o de saneamento foi o que apresentou a maior queda, revelando deficiências estruturais e atraso em relação às metas de universalização. Para Tadeu Barros, diretor-presidente do CLP, os municípios precisam encarar o problema como prioridade. “Infelizmente, observamos uma piora consistente. Há vazamentos, redes antigas e locais que ainda vivem sem água tratada e coleta de esgoto. É um verdadeiro passivo histórico”, afirmou.
Barros reforçou que, apesar dos avanços trazidos pelo Marco Legal do Saneamento, sobretudo no campo das concessões, a infraestrutura existente permanece insuficiente. Para ele, o caminho está em combinar a revitalização de sistemas já instalados com a construção de novas estruturas. “O tempo passa, a rede envelhece e, sem manutenção adequada, o cenário só se agrava. Precisamos agir de forma urgente”, completou.
O ranking destacou como exemplos positivos os municípios de Leme (SP), Catanduva (SP), Presidente Prudente (SP), Balneário Camboriú (SC) e Assis (SP), que lideram o país em qualidade de saneamento.
Se o cenário nessa área preocupa, o mesmo não acontece com o pilar ambiental. O índice que mede sustentabilidade ecológica atingiu a melhor média da série histórica, impulsionado por cinco fatores: redução nas emissões de gases de efeito estufa, preservação da cobertura de florestas, combate ao desmatamento ilegal, maior rapidez no monitoramento e aumento das áreas recuperadas.
Segundo Barros, a proximidade da COP30, marcada para novembro em Belém (PA), também contribuiu para que administrações municipais reforçassem políticas ambientais. “Há uma mobilização crescente em torno da pauta verde. Esse esforço aparece de forma clara nos resultados”, avaliou.
Em sua sexta edição, o ranking é estruturado em 13 pilares essenciais: sustentabilidade fiscal, eficiência da máquina pública, acesso e qualidade na saúde e educação, segurança, saneamento, meio ambiente, inovação, dinamismo econômico, inserção produtiva, capital humano e telecomunicações. O estudo busca identificar boas práticas e apoiar gestores no desenvolvimento de políticas públicas mais eficazes.


