Fortaleza – CE | quarta-feira 16 de setembro de 2026 / 08:03

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Minha casa, minha vida foca na industrialização para combater déficit

Ministro das Cidades defende o uso de sistemas construtivos industrializados para acelerar a entrega de moradias e baixar custos das obras.

O combate ao déficit habitacional no Brasil ganhou um novo direcionamento estratégico por parte do governo federal: a industrialização da construção civil. Durante o Summit da Construção, evento promovido pela Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras) em São Paulo, o ministro das Cidades, Vladimir Lima, cravou que o uso de métodos construtivos pré-fabricados e em escala industrial é o passaporte obrigatório para alavancar a produção do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV).

“O Brasil vive o melhor momento de sua história na habitação. Temos demanda elevada, o Minha Casa, Minha Vida com disponibilidade de financiamento e o setor disposto a investir. Vamos aproveitar esse momento e alavancar as contratações, mas isso só será possível com a industrialização dos processos construtivos”, declarou o ministro aos empresários presentes.

Padronização para destravar obras

Um dos maiores gargalos para a adoção massiva de tecnologias modulares e offsite (fora do canteiro) no país é o emaranhado de legislações municipais. Como cada cidade possui seu próprio código de obras, padronizar projetos habitacionais em nível nacional sempre foi um desafio jurídico e logístico para as construtoras.

Para solucionar esse entrave, o Ministério das Cidades já iniciou mesas de diálogo entre a indústria e associações de prefeitos. O objetivo é criar um marco normativo unificado que viabilize e acelere a aprovação de projetos modulares em diferentes municípios. “Entendemos as dificuldades do setor quando esbarram em códigos de obras diferentes. O Governo do Brasil está sensível a essa questão”, garantiu Lima.

Do ponto de vista financeiro, os ganhos são evidentes. De acordo com o presidente do SindusCon (Sindicato da Indústria da Construção Civil), Yorki Estefan, a padronização e o processo de montagem industrial podem derrubar os custos totais da obra entre 15% e 20%, viabilizando o enquadramento de mais famílias nas faixas de financiamento do MCMV.

Ações do Grupo de Desburocratização

Para provar que a pauta é tratada como prioridade, a pasta habitacional instituiu um grupo focado em desburocratização, inovação e industrialização. A agenda de trabalho deste comitê inclui a elaboração de um ambiente regulatório padronizado e seguro, a coordenação institucional entre os diferentes atores da cadeia produtiva e, principalmente, a formatação de novas linhas de financiamento específicas para o fomento de fábricas de construção offsite.

O foco em modernizar as técnicas construtivas surge num momento de otimismo com a economia habitacional. Segundo os dados levados por Lima ao evento, o crédito imobiliário atual já equivale a 10% do PIB nacional, com forte tendência de escalar para 11% até o fechamento deste ano.

Ao conectar subsídios robustos à eficiência das linhas de montagem, o Minha Casa, Minha Vida não apenas mira na redução drástica da carência de moradias populares, mas também se consolida como um poderoso indutor de tecnologia, emprego qualificado e renda no setor de engenharia brasileiro.

Fonte: Redação
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