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Falta de mão de obra na construção afeta durabilidade de edificações

Com 82,4% das empresas enfrentando escassez de operários, falhas de execução e prazos curtos elevam o risco de patologias nas obras.

O déficit de profissionais qualificados tornou-se um dos principais entraves técnicos nos canteiros de obras no Brasil, com impactos diretos no desempenho e na vida útil das edificações. Dados do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE) apontam que 82,4% das empresas do setor enfrentam dificuldades para contratar trabalhadores capacitados, cenário que sobrecarrega as equipes e reduz o tempo dedicado ao treinamento prático durante as etapas executivas.

A compressão dos cronogramas físicos para acelerar a entrega dos empreendimentos tem limitado o papel formativo que tradicionalmente era exercido por engenheiros, tecnólogos e mestres de obras. Sem a orientação contínua no canteiro, aumentam as ocorrências de falhas de execução em sistemas essenciais, como alvenaria estrutural, instalações elétricas e redes hidrossanitárias.

“A exigência do mercado por rentabilidade mais rápida faz com que muitas vezes não haja tempo suficiente para capacitar a mão de obra durante a execução. Sem o preparo prático e teórico adequado, aumentam os riscos de erros que podem comprometer a durabilidade e a vida útil da edificação”, explica Ricardo Faria, gerente técnico do Grupo Soprema.

O impacto nas camadas de impermeabilização

Entre as etapas mais sensíveis às falhas de mão de obra está o sistema de impermeabilização. Especialistas alertam que a eficácia da proteção contra umidade não depende unicamente da especificação de produtos de alto desempenho, mas da correta preparação da base, do cumprimento rigoroso dos intervalos de cura entre demãos e da execução minuciosa dos testes de estanqueidade previstos nas normas técnicas.

Diante da carência de mão de obra especializada em métodos artesanais, construtoras e incorporadoras têm ampliado o uso de componentes industrializados e pré-fabricados, tais como estruturas modulares e painéis leves. Embora reduzam o esforço físico direto no canteiro, essas soluções tecnológicas exigem mão de obra treinada em montagem de precisão, reforçando a urgência de programas permanentes de qualificação profissional no setor.

Fonte: Redação
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