Fortaleza – CE | segunda-feira 14 de setembro de 2026 / 17:19

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Indústrias compram máquinas novas, mas apenas 5% automatizam processos

Estudo aponta que 74% do parque industrial foi modernizado fisicamente, mas a ausência de softwares e tecnologia 4.0 trava ganho de competitividade do país.

Pode um parque fabril estar equipado com máquinas recém-saídas da caixa e, ao mesmo tempo, permanecer obsoleto diante da competitividade global? Os dados da indústria nacional indicam que sim. O setor passa por uma onda impressionante de renovação de infraestrutura: nada menos que 74% das indústrias confirmaram investimentos recentes na compra de máquinas e equipamentos de fábrica novos.

Porém, quando a lente se aproxima do núcleo da operação tecnológica, o otimismo se dissipa velozmente. Da totalidade dos investimentos aplicados para essa renovação, apenas um percentual marginal, de ínfimos 5%, foi direcionado com o objetivo estratégico de **automatizar os processos industriais** e inserir inteligência artificial ou conectividade de dados na esteira de produção.

Isso sugere que, embora a fiação e os motores das máquinas brilhem como novos, a lógica de produção no país ainda tem um pé fincado no passado.

Substituição versus Inovação

O grande fenômeno que explica essa distorção é a chamada “manutenção por substituição”. Em grande parte das empresas pesquisadas, os maquinários antigos estavam atingindo o fim absoluto da vida útil ou gerando altos custos operacionais de reparo. A compra de um equipamento zero quilômetro veio, então, não por uma mentalidade vanguardista focada na Indústria 4.0, mas sim por uma urgência basilar de impedir que a produção paralisasse por avaria estrutural.

O resultado direto dessa postura conservadora é que o modelo de tomada de decisão não avança. Substituir a prensa manual velha por uma prensa manual nova não altera o ritmo sistêmico da cadeia logística, não extrai telemetria de produção, e o mais grave: não alivia a dependência braçal da operação, num momento em que a escassez de qualificação profissional assombra os gestores industriais.

O Custo da Estagnação Digital

A hesitação em apostar na automação — impulsionada pelo temor de investimentos caros e falta de engenheiros capacitados — mina a força competitiva do Brasil no comércio exterior e interno. Concorrentes asiáticos, e mesmo fábricas sediadas em economias latino-americanas mais audaciosas digitalmente, já colhem os frutos que a automação cibernética (IoT) entrega: margens operacionais mais precisas, ciclos logísticos rápidos, prevenção preditiva de falhas mecânicas e controle absoluto do índice de refugo.

Enquanto a fatia da modernização real se mantiver presa na casa dos 5%, as indústrias do Brasil estarão meramente comprando equipamentos novos para operar com a exata mesma lentidão e pouca eficiência de três décadas atrás.

Fonte: Redação
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