Fortaleza – CE | quinta-feira 22 de outubro de 2026 / 14:41
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Mercado de máquinas agrícolas sofre com crédito e concorrência externa

Enquanto colheitadeiras nacionais registram retração de quase 40%, compras de tratores importados da Ásia disparam no campo brasileiro.

O agronegócio brasileiro enfrenta um momento de cautela nos investimentos em mecanização. Dados consolidados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) indicam que o mercado de máquinas agrícolas registrou queda de 15,8% no volume de vendas internas entre janeiro e agosto de 2026, pressionado pelas elevadas taxas de juros de financiamento e pela desaceleração das cotações internacionais das commodities agrícolas.

O impacto negativo foi sentido de forma mais contundente no segmento de colheitadeiras, equipamentos de alto valor agregado cuja aquisição depende diretamente de linhas de crédito alongadas. As vendas dessa categoria despencaram 39,4%, recuando de 2,3 mil para 1,4 mil unidades comercializadas. Já as entregas de tratores de rodas caíram 14,1%, totalizando 25,5 mil unidades vendidas frente às 29,7 mil do ciclo correspondente de 2025.

Disparada de importações desafia o mercado de máquinas agrícolas

Em sentido oposto à retração das fabricantes locais, o volume de equipamentos estrangeiros desembarcados no país saltou 42% de janeiro a setembro. Fabricantes asiáticos vêm ampliando rapidamente sua fatia de mercado, com destaque para remessas originadas da China e da Índia, países que responderam pelo fornecimento de 5.249 tratores cada no período analisado.

A expansão internacional revela estratégias comerciais agressivas e desdobramentos operacionais importantes:

  • Avanço chinês em tratores utilitários: As importações vindas da China cresceram 117% em doze meses, concentrando-se fortemente na faixa de motores entre 50 e 100 cavalos de potência, voltados à agricultura familiar e pequenas propriedades.
  • Penetração em contratações públicas: Relatório baseado no Portal Nacional de Contratações Públicas apontou que máquinas chinesas responderam por 33,5% das unidades licitadas por órgãos públicos em 2025 (26% do valor global de R$ 3,7 bilhões). No caso específico de tratores agrícolas licitados, 65% foram importados.
  • Aumento de custos industriais: A indústria nacional também enfrenta pressão com a tarifa de 20% sobre resinas plásticas e regras antidumping, elevando entre 4% e 7% os componentes poliméricos das máquinas produzidas no Brasil.

Construção pesada sustenta alta nas máquinas rodoviárias

Em contraste com as dificuldades na lavoura, os equipamentos da linha amarela demonstraram desempenho favorável. As vendas internas de máquinas rodoviárias atingiram 27 mil unidades de janeiro a agosto, registrando crescimento de 13,1% na comparação anual. O dinamismo foi sustentado pela forte atividade da construção civil e pelo andamento de projetos estruturantes de infraestrutura e saneamento, que continuam estimulando a demanda por escavadeiras hidráulicas, pás carregadeiras e motoniveladoras.

Especialistas da indústria e entidades como a Abimaq apontam que a retomada sustentável do mercado de máquinas agrícolas exigirá maior estabilidade cambial, renegociação de passivos dos produtores e equalização de taxas nos programas oficiais de crédito rural.

Fonte: Redação
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