A receita líquida total da indústria brasileira sinalizou leve recuperação ao final do terceiro trimestre. As transações na venda de máquinas e equipamentos atingiram R$ 23,44 bilhões no mês de setembro, representando uma elevação de 1,6% em comparação com o mês anterior, de acordo com indicadores consolidados pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).
O resultado positivo foi impulsionado primordialmente pelo desempenho das vendas externas, que registraram avanço de 12,8% sobre agosto, somando US$ 1,34 bilhão em exportações. Os mercados dos Estados Unidos, Argentina e Singapura figuraram como os principais destinos das exportações de maquinário pesado e ferramentas de precisão brasileiras.
Exportações sustentam a venda de máquinas e equipamentos
Enquanto o mercado externo demonstrou dinamismo, o ambiente de negócios doméstico continuou operando sob forte pressão restritiva. A manutenção da taxa básica de juros (Selic) em patamares elevados tem postergado planos de modernização fabril e renovação de frotas de equipamentos pesados nos canteiros de obras e no agronegócio nacional.
A radiografia setorial aponta um equilíbrio operacional delicado entre os principais indicadores da indústria mecânica:
- Utilização da capacidade fabril: O nível de ocupação das plantas industriais estabilizou-se em 79,5% em setembro, demonstrando cautela dos fabricantes em relação ao aumento de turnos.
- Carteira média de encomendas: Os pedidos acumulados subiram para 10,3 semanas de atendimento, superando a média de 8,9 semanas registrada em igual mês do ano anterior.
- Empregabilidade no setor: O contingente formal de trabalhadores empregados na fabricação de maquinário encerrou o trimestre em 409.983 profissionais.
Desafios do crédito para os investimentos produtivos
O consumo aparente de máquinas no país — que combina produção doméstica com importações líquidas — totalizou R$ 31,81 bilhões em setembro. Contudo, entidades da indústria apontam que a reativação plena do mercado interno depende de linhas de financiamento mais competitivas para bens de capital.
Para os próximos meses, o setor aposta no fortalecimento de programas governamentais de renovação de ativos industriais e no avanço de obras de infraestrutura para recompor a demanda interna e acelerar as encomendas de bens de capital.


