A inflação de maio trouxe uma combinação incômoda para as famílias: comida mais cara, conta de luz maior e resultado acima do esperado pelo mercado. O IPCA subiu 0,58% no mês, depois de avançar 0,67% em abril, informou o IBGE nesta sexta-feira.
Embora o índice tenha perdido força na comparação mensal, a taxa foi a maior para maio desde 2021, quando havia chegado a 0,83%. Analistas esperavam alta de 0,53%.
O que mais pesou no IPCA
O grupo de alimentação teve alta de 1,33% e respondeu por cerca de metade do resultado do mês. Dentro de casa, os alimentos avançaram 1,65%, com destaque para batata-inglesa, tomate, cebola e carnes.
Alguns itens, porém, aliviaram a cesta. Café moído e frutas recuaram no período, mas não foram suficientes para compensar a pressão dos demais produtos.
Segundo José Fernando Gonçalves, gerente do IPCA, a alta de parte dos alimentos está ligada à menor oferta e ao encarecimento do frete, influenciado pelos combustíveis.
Energia elétrica ampliou o impacto no mês
A energia elétrica residencial teve aumento de 3,67% e foi o principal impacto individual na inflação de maio. O movimento refletiu reajustes em algumas áreas e a vigência da bandeira tarifária amarela, que adicionou cobrança extra à conta de luz.
Para moradores, inquilinos e famílias que já convivem com gastos fixos elevados, a pressão sobre energia e alimentação reduz a margem do orçamento. Esse ambiente também afeta decisões ligadas a aluguel, financiamento, reformas e consumo de bens duráveis.
Índice em 12 meses volta a preocupar
No acumulado de 12 meses, o IPCA chegou a 4,72%. Com isso, voltou a ultrapassar o teto da meta definida pelo Banco Central, que tem centro em 3% e margem de tolerância de 1,5 ponto percentual.
A perspectiva para os próximos meses ainda exige cautela. Economistas acompanham os efeitos de conflitos internacionais sobre combustíveis e fretes, além de possíveis impactos climáticos sobre alimentos no segundo semestre.
Para o consumidor, o dado reforça a importância de acompanhar os custos recorrentes. Mesmo quando o índice desacelera, altas concentradas em itens essenciais costumam ser sentidas de forma mais direta no dia a dia.
