As condições de acesso ao crédito para a aquisição da casa própria voltaram ao centro das atenções econômicas, com o setor produtivo buscando garantias para proteger o ritmo de negócios. Lideranças da construção e incorporação imobiliária têm manifestado resistência às tentativas das instituições bancárias de flexibilizar o teto de juros em operações voltadas a propriedades de maior valor.
O debate sobre a taxa limite
O principal impasse ocorre sobre a regra do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), que impõe um limite de 12% ao ano para o financiamento imobiliário em transações de até R$ 2,25 milhões. Enquanto os bancos argumentam que a sustentabilidade desse teto está ameaçada pelo patamar atual da Selic, fixada em 14%, entidades representativas da construção alertam que qualquer encarecimento afastará compradores potenciais.
A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e o Secovi-SP reforçam a importância de manter o desenho do sistema sem adiamentos ou alterações drásticas, argumentando que os bancos já possuem mecanismos compensatórios para manter o spread lucrativo.
Desempenho e dependência do crédito
O acesso facilitado ao funding da poupança é vital para o ecossistema imobiliário, reduzindo a necessidade de as construtoras recorrerem a linhas mais custosas no mercado de capitais. No balanço do primeiro semestre, o SBPE liberou R$ 67,2 bilhões para a compra de moradias, um crescimento expressivo de 12% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior.
Apesar desse volume de capital injetado, os reflexos no mercado variam conforme a faixa de renda. Enquanto os empreendimentos focados no Minha Casa, Minha Vida sustentaram uma alta geral de 5,4% nas vendas totais de imóveis novos, a comercialização de unidades de médio e alto padrão sofreu um decréscimo de 3,2%, contabilizando 112,5 mil unidades. Esse dado evidencia a sensibilidade desse público ao custo do crédito, justificando a pressão das construtoras para que as regras do limite não sejam modificadas.
