Fortaleza – CE | terça-feira 8 de setembro de 2026 / 19:23

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Rodovias federais abrem portas para novos negócios e centros logísticos

Governo federal planeja liberar o repasse integral de receitas acessórias para concessionárias, buscando atrair mais investimentos em infraestrutura ao longo das estradas.

As faixas de domínio das estradas brasileiras podem se tornar polos dinâmicos de comércio e logística em breve. Uma mudança nas regras dos contratos de concessão está sendo desenhada para incentivar a construção de estabelecimentos diversos ao longo da malha viária, transformando o modo como o setor rodoviário gera lucro e oferece serviços aos motoristas.

Foco na exploração comercial

Com a proposta, atividades como a instalação de complexos de recarga para veículos elétricos, redes hoteleiras, restaurantes, centros de distribuição de mercadorias e até estruturas voltadas ao agronegócio ganhariam fôlego. O objetivo do poder público é estimular as administradoras de pedágio a investirem pesadamente nesses empreendimentos paralelos.

Para isso, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e o Ministério dos Transportes estudam permitir que as operadoras retenham até 100% dos ganhos provenientes dessas operações, conhecidas como receitas acessórias. Atualmente, o percentual retido por elas gira em torno de 15%, o que, segundo especialistas, desestimula o esforço de planejamento, atração e gestão desses novos negócios.

Alteração na modicidade tarifária

O modelo vigente determina que a grande maioria dos valores arrecadados com serviços extras seja direcionada para a chamada modicidade tarifária — um fundo destinado a segurar os aumentos nas tarifas de pedágio. No entanto, o governo reconhece que o impacto final no barateamento para o usuário é ínfimo. Atualmente, as atividades paralelas representam somente 2% da receita total de um contrato de concessão.

A proposta de flexibilização já encontra um ambiente de testes na ponte que conecta o Brasil à Argentina (São Borja a Santo Tomé), onde a operadora retém a totalidade do faturamento extra e já elabora projetos modulares, baseados em contêineres, para abrigar comércio e galpões.

Reivindicação do setor

A Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR) corrobora a medida, comparando o potencial rodoviário ao sistema de concessão aeroportuário, onde o faturamento extra-tarifa é vital. A entidade ressalta que, para o plano decolar, as regras e tipos de negócios permitidos já devem constar nas exigências prévias dos leilões, garantindo a viabilidade financeira desde a formulação das propostas e evitando longas burocracias de aprovação durante o contrato.

Fonte: Redação
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