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Setor imobiliário absorve mudanças da pandemia nas preferências de moradia

Com a estabilização da pandemia, o mercado imobiliário agora percebe as mudanças mais duradouras nos perfis dos consumidores ou novos moradores. A experiência desafiadora do home office, por exemplo, resultou em modelos híbridos de trabalho em inúmeras empresas, indústrias e

Com a estabilização da pandemia, o mercado imobiliário agora percebe as mudanças mais duradouras nos perfis dos consumidores ou novos moradores. A experiência desafiadora do home office, por exemplo, resultou em modelos híbridos de trabalho em inúmeras empresas, indústrias e organizações. Com isso, aumentou a procura por imóveis com cômodo extra para servir de escritório e condomínios com coworking, por exemplo. Também os novos hábitos sociais, as mudanças nas estruturas das famílias afetadas pela covid-19 e até mesmo o aumento da preocupação com a sustentabilidade influenciaram o chamado “novo jeito de morar”.

A “nova forma de ver e de materializar o ambiente ou a rotina de trabalho” é a principal mudança da pandemia com impacto nas preferências do consumidor imobiliário, na visão do CEO da JBA Imóveis, Ilso Gonçalves. “Estamos chegando a uma espécie de meio do caminho, em um modelo híbrido nessa relação casa e trabalho, em que fazemos constantemente uma avaliação sobre quando é válido e necessário ou não fazer atividades presenciais, se deslocar no trânsito da cidade e em quais horários. Com isso, ficamos mais em casa. E a jornada de trabalho precisa se adaptar ao convívio familiar em casa”, analisa.

Em 2022, em um cenário de otimismo com relação ao fim da emergência sanitária, os novos perfis de consumidores imobiliários e as exigências para os projetos de construção a médio e longo prazos são sentidos pelos profissionais do mercado imobiliário. E as tendências de moradia ficam ainda mais evidentes nos empreendimentos comprados na planta, que – do início das obras até a entrega das chaves – levam em média dois anos para ser entregue.

Novos divórcios e modelos de guarda dos filhos

Os casais que se separaram durante a pandemia foram responsáveis por uma fatia significativa da compra e venda de imóveis no Brasil no período. Só no primeiro semestre de 2021, o aumento no número de divórcios chegou a 24%, de acordo com dados do Colégio Notarial do Brasil. Entre os corretores de imóveis, a alta foi percebida a partir de um aumento na procura por imóveis por quem estava buscando um novo lar e um espaço de convivência com os filhos, com o fim do casamento. “Foi curioso perceber que esse fenômeno se deu também entre pessoas de mais idade, casadas há mais tempo, com filhos grandes e a vida bem resolvida”, destaca o CEO da JBA Imóveis.

O isolamento social e o trabalho remoto também influenciaram os modelos de guarda dos filhos, com o aumento da convivência familiar e mais flexibilidade na agenda dos pais para a divisão mais igualitária do tempo dos pais e mães com as crianças e adolescentes. Além de aumentar a possibilidade da guarda compartilhada, durante a pandemia surgiram tendências como o “aninhamento”, em que os filhos permanecem na mesma casa e os pais se alternam na moradia com eles.

Novos pais

Com a insegurança sobre o futuro gerada pela pandemia, muitos brasileiros adiaram os planos de ter um filho. E isso acelerou a tendência de queda na natalidade no país. Segundo números do Portal da Transparência do Registro Civil, antes da covid-19, nasciam cerca de 15 mil brasileiros a menos a cada ano. Com a pandemia, a redução no número de nascimentos praticamente dobrou no país.

No mercado imobiliário, a redução da demanda de imóveis de upgrade para casais à espera de um bebê foi sentida, mas uma demanda “represada” daqueles que agora se sentem seguros para dar sequência aos planos também é notada. Os casais jovens, que planejam o primeiro filho, têm optado pelos sobrados.

Segundo o CEO da JAB, o custo benefício das casas é melhor em muitas cidades e diferenciais como quintal e outros espaços ao ar livre também influenciam a preferência desse perfil de consumidor, que quer qualidade de vida para a família. “Mas, em Curitiba, as casas para esse perfil de consumidor acabam sendo uma opção cara, porque o valor da terra na cidade é alto e a casa exige espaço maior”, destaca. “Hoje, esse casal consegue comprar um sobrado a partir de 240 mil reais em Curitiba. Dificilmente encontrará uma casa nesse valor na cidade”, acrescenta.

Ainda assim, ele ressalta que é comum que os casais com crianças comprem ou aluguem apartamentos e, em pouco tempo, queiram mudar para um sobrado. “Muitos casais jovens, que inicialmente adquiriram apartamentos, depois vendem para comprar sobrado, pensando na qualidade de vida do filho, no quintal para plantar árvores e brincar de bola, poder ter cachorro e várias outras coisas”, diz.

“Paitrocínios”

A redução no rendimento das famílias também vem gerando uma percepção cada vez maior de casais jovens cujos pais ajudam a complementar a renda para a aquisição de imóveis. “Antes, via casais na faixa dos 30 anos, com uma boa faixa de renda e que compravam imóvel com seus próprios recursos. Hoje, o que tenho percebido no dia a dia é uma presença maior da renda dos pais nessa compra da casa própria dos filhos, em função do baixo rendimento desses jovens, que não conseguem mais guardar o suficiente para adquirirem sozinhos”, aponta Gonçalves.

Além desses casos, o mercado imobiliário dos últimos anos cresceu também com a procura, especialmente pelos jovens, por vantagens tecnológicas, automatização, imóveis mais modernos e com aproveitamento inteligente dos espaços. Uma demanda represada de estudantes que tiveram a mudança de cidade adiada – com a suspensão das aulas presenciais nas universidades – também reflete em uma busca maior por imóveis super compactos e compactos, para a moradia de universitários durante os cursos.

Fonte: Bem Paraná
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