Fortaleza – CE | sexta-feira 30 de outubro de 2026 / 14:43
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Crise de crédito contrai o mercado de máquinas agrícolas em 21,6%

Vendas internas de tratores e colheitadeiras despencam com juros altos e quebras de safra, reduzindo faturamento da indústria.

A retração no nível de investimentos no campo atingiu fortemente as linhas de montagem de equipamentos pesados no Brasil. O mercado de máquinas agrícolas acumulou uma queda de 21,6% no faturamento líquido entre janeiro e setembro de 2026 em comparação com igual período do ano passado, somando uma receita de R$ 41,47 bilhões, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).

O recuo foi ainda mais severo no mercado doméstico, onde as vendas internas desabaram 24,8% no intervalo, somando R$ 34,71 bilhões. O descompasso financeiro dos agricultores, agravado por perdas decorrentes de adversidades climáticas extremas — sobretudo no Rio Grande do Sul — e pela queda nos preços internacionais das commodities agrícolas, paralisou as decisões de renovação de frotas rurais.

Queda nas vendas e desaquecimento no mercado de máquinas agrícolas

A desaceleração atinge com intensidade particular os maquinários de maior valor agregado do agronegócio. As saídas das fábricas registraram recuos alarmantes no acumulado de 2026:

  • Colheitadeiras: As entregas fabris acumulam expressiva retração de 55,7% em unidades físicas, somando apenas 255 máquinas comercializadas em setembro.
  • Tratores agrícolas: O volume expedido pelas montadoras caiu 26% no ano, com 3.140 unidades faturadas em setembro — uma queda de 48,4% na comparação direta com o mesmo mês de 2025.
  • Postos de trabalho formais: O corte na produção levou à eliminação de vagas na cadeia mecânica, com o contingente de trabalhadores do segmento recuando 11,9% em doze meses, encerrando setembro com cerca de 110 mil operários.

Exportações e avanço da concorrência de equipamentos importados

Em contraste com a fraqueza interna, as exportações de maquinário agrícola brasileiro cresceram 12,1% no acumulado do ano, atingindo US$ 1,31 bilhão. Contudo, o faturamento externo representou apenas um alívio pontual diante do tamanho do mercado doméstico paralisado.

Ao mesmo tempo, a indústria nacional enfrenta o avanço expressivo de equipamentos importados, que passaram a ocupar 47,6% do consumo brasileiro no setor de máquinas em geral. Lideradas por fornecedores chineses, que cresceram 17,7% nas vendas ao país, as máquinas estrangeiras ganham espaço frente aos custos elevados de produção local.

Para a Abimaq, a reativação dos investimentos na mecanização do campo exige medidas imediatas de redução das taxas de juros no crédito rural, renegociação de dívidas das lavouras atingidas pelo clima e equalização de custos financeiros para preservar a indústria nacional.

Fonte: Redação
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