Fortaleza – CE | sexta-feira 16 de outubro de 2026 / 15:39
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Processamento de aço registra recuo na demanda industrial

Setor metalúrgico aponta queda de 11,3% no acumulado do ano e analisa concorrência com produtos externos em levantamento da Abimetal-Sicetel.

A cadeia de transformação metalúrgica nacional vivencia um período de desaceleração produtiva ao longo de 2026. Segundo levantamento periódico divulgado pela Associação Brasileira da Indústria Processadora de Aço e pelo Sindicato Nacional da Indústria Processadora de Aço (Abimetal-Sicetel), o segmento acumulou uma retração de 11,3% até agosto, reflexo direto da redução de encomendas por parte de grandes indústrias consumidoras e da oscilação no nível de investimentos no país.

O diagnóstico econômico, estruturado a partir da Pesquisa Industrial Mensal (PIM-PF) apurada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e de registros de comércio exterior do sistema Comex Stat, revela que a perda de dinamismo foi sentida com maior intensidade nos setores fabricantes de máquinas, equipamentos industriais e implementos agrícolas. Essas frentes de produção registraram perdas acumuladas de 7,8% no ano, enquanto a fabricação geral de artefatos de metal recuou 2,8%. Como termo de comparação, a média de toda a indústria de transformação brasileira operou com leve variação negativa de 0,1% no mesmo período.

No front do comércio exterior, a pesquisa da entidade patronal ressalta que, embora as compras externas de itens processados apresentem queda em relação ao pico registrado em 2025, os volumes importados continuam em patamares historicamente elevados. Todos os meses de 2026 superaram as marcas verificadas em 2024, mantendo forte presença de insumos siderúrgicos asiáticos e disputando espaço com fornecedores locais em um mercado doméstico arrefecido. Esse cenário demonstra que a mera redução marginal das importações não tem sido suficiente para reaquecer os pedidos internos.

De acordo com o presidente da Abimetal-Sicetel, Ricardo Martins, o comportamento do setor está intrinsecamente ligado à atividade econômica mais ampla, já que o processamento do aço atua como elo intermediário entre usinas siderúrgicas de base e os fabricantes de produtos acabados. Quando grandes segmentos industriais freiam aquisições de bens de capital e reduzem seus estoques, o impacto se propaga de maneira imediata pelas metalúrgicas de corte, conformação e trefilação.

Embora a indústria automotiva tenha se destacado como uma exceção pontual positiva na absorção de laminados e perfis, seu ritmo não tem sido suficiente para compensar a ociosidade acumulada em linhas fabris dedicadas a bens de capital e equipamentos pesados. Diante desse quadro de margens comprimidas e custo elevado de capital de giro, entidades empresariais do setor metalmecânico defendem a adoção contínua de medidas de defesa comercial, condições de financiamento mais acessíveis e incentivos à modernização fabril para reequilibrar a competitividade das empresas nacionais perante a concorrência internacional e garantir a manutenção de postos de trabalho especializados.

Fonte: Redação
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